
“Todas as partes do mundo contam com países vulneráveis e nenhuma nação está 100% preparada para o fenómeno da desinformação”, afirmou Alexandre Le Voci Sayad.
Para o representante da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO), trata-se de uma corrida constante por políticas que cubram educação pública, baixa escolarização, baixo nível de aprendizagem e que permitam combater a desinformação, vista como uma “preocupação fundamental”.
“A desinformação é um fenómeno que abarca desde o excesso de informação até à informação imprecisa, bem como notícias que são criadas propositadamente para prejudicar um grupo um indivíduo”, esclareceu o responsável da organização.
A imigração, em particular associada a comunidades muçulmanas, foi o principal foco da desinformação em Portugal ao longo de 2025, afirma o coordenador do projeto de combate à desinformação Iberifier em Portugal, Gustavo Cardoso.
Lusa | 09:28 – 18/12/2025
Alexandre Le Voci Sayad considerou que o aumento da desinformação em tempo eleitoral, em conjunto com o desenvolvimento da Inteligência Artificial (IA), elevam a desinformação a um nível mais complexo.
Assim, de forma a estabelecer uma estratégia de combate, o representante da UNESCO salientou a necessidade de aliar a literacia mediática e a literacia informacional.
“O objetivo é de colaboração entre as muitas epistemologias existentes neste campo trazendo uma visão focada em competências, e não apenas em abordagens ou origens académicas”, rematou o responsável.
Alexandre Le Voci Sayad referiu ainda que “combater a desinformação é olhar para a regulação dos meios digitais, para os Direitos Humanos, para o acesso, qualidade e equidade da educação básica, para a liberdade de imprensa e também para as políticas de literacia mediática e informacional. Sem algum desses pontos, tudo fica incompleto”.
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