advertisement O Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD) prevê que mais de 170 mil pessoas sejam afectadas por cheias e seca na presente época chuvosa 2025-26, ao nível da província de Inhambane, região sul de Moçambique. Entretanto, para melhor responder aos desafios, as autoridades avançaram que necessitam de 26 milhões de meticais (403 mil dólares). A época das chuvas em Moçambique começa em Outubro e prolonga-se até Abril. Neste sentido, o delegado do INGD em Inhambane, Gilberto Miguel, explicou que as análises mais recentes apontam para um período marcado por contrastes extremos. “O plano de contingência local já foi aprovado no dia 10 de Outubro, e traz uma análise detalhada das ameaças que vão impactar a província”, secundou. “O primeiro cenário contempla eventos de pequena magnitude, mas de ocorrência frequente — chuvas fortes, inundações urbanas e secas localizadas — capazes de causar danos severos em comunidades vulneráveis. No segundo, vislumbra-se a ocorrência combinada de ciclones, cheias e secas em várias zonas. São situações que podem ocorrer isoladamente ou em simultâneo”, alertou. Citado pelo jornal O País, Gilberto Miguel disse que dos 26 milhões de meticais necessários, apenas estão disponíveis dois milhões de meticais, estando o INGD a trabalhar em coordenação com os parceiros de cooperação para suprir este défice. “Apesar dos esforços do Governo provincial e do INGD, a realidade mostra que a vulnerabilidade climática em Inhambane continua a crescer mais depressa do que a capacidade de resposta. Os recursos são escassos, a prevenção ainda depende de apoios externos e a urbanização desordenada agrava os riscos”, enfatizou. O responsável reconheceu que “a cada época chuvosa, renova-se o mesmo ciclo de medo, perdas e promessas. A província precisa, de investimento estruturante — em drenagem, abastecimento de água, agricultura, resiliência e educação ambiental — para que o futuro deixe de ser um exercício de sobrevivência diante da natureza”. Na semana passada, o Executivo aprovou o plano de contingência nacional para a época chuvosa 2025-26 avaliado em 14 mil milhões de meticais (217,1 milhões de dólares). No entanto, admitiu dispor apenas de 6 mil milhões de meticais (93 milhões de dólares) da verba necessária. Em Setembro, as autoridades alertaram para cheias de “grande magnitude” no País e inundações em pelo menos quatro milhões de hectares agrícolas durante a época chuvosa 2025-26. “Entre Janeiro, Fevereiro e Março, achamos que vamos ter chuvas e cheias de grande magnitude, aquilo que classificamos como um regime alto, sobretudo nas bacias de Incomáti, Maputo e Limpopo”, afirmou Agostinho Vilanculos, director nacional de Gestão de Recursos Hídricos. Segundo o responsável, as barragens de países vizinhos de Moçambique, entre os quais África do Sul e Essuatíni, estão a 99% do nível de armazenamento e, por isso, com pouca capacidade de encaixe, situação que obrigará ao escoamento e consequentes inundações no País. Já o Banco de Moçambique (BdM) apontou que as cheias previstas para o primeiro trimestre de 2026 vão causar impactos negativos na economia, nomeadamente no fornecimento de alimentos, um dos factores que poderão condicionar as perspectivas de crescimento. “A cada época chuvosa, renova-se o mesmo ciclo de medo, perdas e promessas. A província precisa, de investimento estruturante — em drenagem, abastecimento de água, agricultura, resiliência e educação ambiental — para que o futuro deixe de ser um exercício de sobrevivência diante da natureza” “Para 2026, foram identificados três principais pressupostos internos, como a manutenção da elevada pressão sobre o Orçamento do Estado, a reposição gradual da capacidade produtiva e de oferta de bens e serviços e a previsão de cheias no País”, avança a instituição financeira no Relatório de Conjuntura Económica e Perspectivas de Inflação. Moçambique é considerado um dos países mais severamente afectados pelas alterações climáticas, enfrentando ciclicamente cheias e ciclones tropicais durante a época chuvosa, que decorre anualmente entre Outubro e Abril. Só entre Dezembro e Março últimos, na última época ciclónica, Moçambique foi atingido por três ciclones, incluindo o Chido, o primeiro e mais grave, no final de 2024. O número de ciclones que atingem o País “tem vindo a aumentar na última década”, bem como a intensidade dos ventos, alerta-se no relatório do Estado do Clima em Moçambique 2024, do Instituto de Meteorologia de Moçambique, divulgado em Março. Os eventos extremos provocaram pelo menos 1016 mortos em Moçambique entre 2019 e 2023, afectando cerca de 4,9 milhões de pessoas, segundo dados do Instituto Nacional de Estatística.advertisement

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