a d v e r t i s e m e n tA mineradora australiana Paladin Energy está a caminho de concluir a expansão da sua mina de urânio de Langer Heinrich, na Namíbia, para atingir a capacidade máxima de produção a partir de Julho, impulsionada pela subida dos preços, que tem acelerado o investimento no sector, noticiou a Reuters, nesta quinta-feira (12).

Impulsionados pelo aumento global do recurso à energia nuclear e pela possibilidade de um défice de oferta deste mineral estratégico, os preços do urânio subiram em Janeiro para um máximo de dois anos, atingindo 101 dólares por libra, antes de estabilizarem entre 85 e 90 dólares.

A Namíbia, o terceiro maior produtor mundial de urânio, a seguir ao Canadá e ao líder Cazaquistão, pretende consolidar a sua posição após ter alcançado uma produção recorde no ano passado, ultrapassando, pela primeira vez, as 10 mil toneladas métricas (cerca de 22 milhões de libras) de concentrado de urânio em pó (U3O8).

“Tivemos cinco trimestres consecutivos de melhoria nos volumes e esperamos que essa tendência continue até ao exercício fiscal de 2027, pelo que antecipamos um ano absolutamente excelente”, disse Paul Hemburrow, director-executivo da Paladin, referindo-se à produção da empresa. “Preços mais elevados são positivos para todos”, acrescentou, numa entrevista telefónica a partir da Namíbia, durante uma visita de investidores.

A China National Nuclear Corporation (CNNC) detém 25% da mina de Langer Heinrich. As duas maiores minas de urânio em operação no clima árido da Namíbia são a Husab, da Swakop Uranium, e a Rossing, da CNNC, ambas maioritariamente detidas por empresas chinesas. O U3O8 é utilizado sobretudo na produção de combustível nuclear para centrais eléctricas.

Novos projectos podem ajudar a Namíbia a duplicar a produção

O país tem dois novos projectos em desenvolvimento: as minas de Etango, da Bannerman Energy, e de Tumas, da Deep Yellow, cujo custo de desenvolvimento é estimado em cerca de 756 milhões de dólares.

A China National Uranium, detida pela CNNC, anunciou na quinta-feira que planeia adquirir uma participação de 42,8% no projecto Etango, através de um acordo com a Bannerman Energy, num negócio que não deverá ultrapassar os 322 milhões de dólares.

Entretanto, o grupo nuclear francês Orano, que perdeu as suas licenças no Níger após um golpe de Estado, está também a reavaliar a mina de Trekkopje, que se encontra inactiva há mais de uma década, segundo notícias da imprensa.

O director-executivo da Bannerman afirmou que a decisão final de investimento deverá ser tomada nos próximos seis a doze meses, com as primeiras vendas previstas para 2029. Segundo Gavin Chamberlain, uma vez em produção, a mina de Etango poderá aumentar a capacidade anual para 6,8 milhões de libras de U3O8, sem necessidade de perfurações adicionais.

O Instituto do Urânio da Namíbia indicou que, com os novos projectos planeados e a expansão das minas existentes, a produção poderá eventualmente duplicar, ultrapassando as 20 mil toneladas de U3O8. Os principais mercados de exportação incluem a China, a Europa, o Japão e os Estados Unidos.

“Mas isso depende, naturalmente, da evolução futura do preço do urânio”, afirmou Gabi Schneider, directora-executiva do Instituto.

Post a comment

Your email address will not be published.

Related Posts