advertisemen tO antigo Presidente do Maláui, Peter Mutharika, venceu as eleições presidenciais deste mês, depois dos eleitores rejeitarem Lazarus Chakwera, que governara durante cinco anos de agravamento da crise económica num dos países mais pobres do mundo. De acordo com a Reuters, Mutharika obteve mais de 56% dos votos válidos, o suficiente para vencer logo na primeira volta, contra 33% para Chakwera, informou a comissão eleitoral nesta quarta-feira (24). Mais cedo, Chakwera reconheceu a derrota e declarou estar comprometido com uma transição pacífica do poder. “Foi eleito pelo povo do Maláui para o conduzir a um futuro mais promissor”, afirmou a presidente da Comissão Eleitoral, Annabel Mtalimanja, numa conferência em que declarou Mutharika vencedor. Um responsável do Partido Democrático Progressista de Mutharika referiu que a formação iria “recolocar o país no caminho certo”. Quarto confronto entre Mutharika e Chakwera A segurança foi reforçada na capital, Lilongwe, antes do anúncio dos resultados, com a polícia armada a patrulhar as ruas e os bancos encerrados por precaução contra eventuais distúrbios. As eleições de 16 de Setembro marcaram o quarto confronto entre Mutharika, de 85 anos, e Chakwera, de 70. Mutharika venceu já três desses duelos, embora a sua vitória em 2019 tivesse sido anulada pelo tribunal constitucional devido a irregularidades, incluindo o uso de corrector nas actas dos resultados. Analistas políticos afirmaram que o resultado desta última eleição reflecte uma desilusão generalizada com a gestão económica de Chakwera. A afluência às urnas foi elevada, com cerca de 76% dos eleitores registados a votar. “Este resultado eleitoral não se deve tanto a Mutharika, mas sim a um voto de protesto contra Chakwera, sobretudo em relação à forma como o seu Governo lidou com a economia”, afirmou Boniface Dulani, especialista em ciência política da Universidade do Maláui. Estagnação económica como principal tema eleitoral O Maláui tem enfrentado estagnação económica desde que Chakwera foi eleito em 2020, no auge da pandemia da covid-19. Um ciclone devastador e uma seca regional, ambos associados às alterações climáticas, destruíram colheitas e agravaram as dificuldades. A inflação mantém-se acima dos 20% há mais de três anos. Quase três quartos dos malauianos vivem abaixo da linha de pobreza do Banco Mundial, definida em 3 dólares por dia. Cerca de metade da população não atinge o número mínimo de calorias necessárias para uma nutrição adequada, segundo estimativas da mesma instituição. Por sua vez, Bertha Bangara Chikadza, presidente da Associação de Economia do Maláui, destacou que uma das tarefas mais urgentes de Mutharika será estabilizar a economia, lidando com a escassez de divisas e com a inflação persistentemente elevada. “Conseguir isto terá automaticamente um impacto positivo directo em questões sociais como o desemprego e a redução da pobreza”, declarou à Reuters. Professor de direito reformado, Mutharika foi creditado por ter reduzido a inflação durante a sua presidência entre 2014 e 2020 e por ter melhorado infra-estruturas públicas como estradas. No entanto, enfrentou acusações de clientelismo, que negou.

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