advertisement A organização Médicos Sem Fronteiras (MSF) avançou que os serviços básicos continuam a ser os mais afectados pela violência armada em Cabo Delgado, região Norte de Moçambique, salientando que o acesso ainda é “limitado e extremamente frágil”. “O que testemunhámos nos últimos meses em Cabo Delgado foi uma nova vaga de violência. Só os ataques mais recentes levaram cerca de 20 mil pessoas a deslocar-se na província”, afirmou Richard Ferreira, médico da MSF ao nível do distrito de Mocímboa da Praia. O responsável revelou que nas últimas semanas, após sucessivos ataques, a MSF viu-se obrigada a suspender a actividade, por questões de segurança, recordando que Mocímboa da Praia sofreu o primeiro ataque terrorista em Outubro de 2017, e chegou a funcionar como quartel-general dos rebeldes durante pouco mais de ano, até ser recuperada, em Agosto de 2021, pela acção conjunta das forças governamentais moçambicanas e do Ruanda. Segundo Richard Ferreira, no início da intervenção da MSF na região em 2019, as necessidades mais urgentes estavam ligadas aos cuidados médicos básicos e ao apoio humanitário de emergência às famílias deslocadas pelo conflito. “Hoje, essas necessidades não só continuam, como também se agravam. Há uma pressão enorme sobre os serviços de saúde, muitas unidades sanitárias foram destruídas por ataques ou por ciclones e as poucas que restam, muitas vezes, não têm condições mínimas ou ficam inacessíveis por conta da insegurança”, explicou. Ferreira apontou ainda que desde 2017 muitas pessoas foram forçadas a abandonar as suas casas repetidas vezes em Cabo Delgado e, por causa desta volatilidade constante, a população continua a ter imensas dificuldades em aceder aos serviços básicos. “Muitos civis decidem deslocar-se para locais mais seguros depois dos episódios de violência. Entre eles, há profissionais de saúde, e isso leva a uma ausência importante de recursos humanos para assistência nos serviços de saúde.” Mocímboa da Praia sofreu o primeiro ataque terrorista em Outubro de 2017, e chegou a funcionar como quartel-general dos rebeldes durante pouco mais de ano, até ser recuperada, em Agosto de 2021, pela acção conjunta das forças governamentais moçambicanas e do Ruanda “O acesso aos serviços básicos de saúde continua limitado e extremamente frágil. A MSF é a principal organização médica a apoiar as estruturas existentes, em colaboração com o Ministério da Saúde. Actualmente, apenas metade das estruturas de saúde ainda funcionam, três postos de saúde e o hospital”, disse. De acordo com a fonte, o financiamento humanitário aos afectados pelo conflito está a diminuir, apesar do aumento das necessidades na província, o que compromete a capacidade de dar resposta rápida às emergências, reduzindo a cobertura dos programas e dificultando a coordenação entre organizações. “Em 2025, por exemplo, vimos várias organizações a reduzirem ou suspenderem a sua assistência, mesmo com tantas necessidades críticas em andamento, avançou, acrescentando que a meta actual é dar uma resposta às necessidades da população de forma segura, incluindo para os profissionais”, concluiu. Desde Outubro de 2017, Cabo Delgado – província rica em recursos naturais, nomeadamente gás – tem sido palco de uma insurgência armada que já provocou milhares de mortos e originou uma crise humanitária com mais de um milhão de deslocados internos. Em Abril, os ataques alastraram também à vizinha província do Niassa. Um dos episódios mais graves ocorreu na Reserva do Niassa e no Centro Ambiental de Mariri, no distrito de Mecula, onde grupos armados não estatais atacaram instalações, roubaram bens, destruíram acampamentos e uma aeronave do parque. Estes actos resultaram na morte de, pelo menos, duas pessoas e levaram à deslocação de mais de dois mil indivíduos, dos quais 55% são crianças.advertisement

Post a comment

Your email address will not be published.

Related Posts