O representante da Organização das Nações Unidas para o Desenvolvimento Industrial (UNIDO), Jaime Comiche, advertiu esta terça-feira (23), em Maputo, durante a Mozambique Gas & Energy Summit & Exhibition 2025, que Moçambique dificilmente conseguirá diversificar a sua economia se não garantir o acesso massivo e sustentável à energia.
Falando no painel “O papel dos parques industriais na industrialização verde e no desenvolvimento”, Comiche lembrou que menos de 40% da população moçambicana tem atualmente acesso a energia, sendo ainda menor a parcela ligada a fontes renováveis. Para o responsável, sem resolver esta limitação estrutural, o país não terá condições de dinamizar a industrialização e gerar empregos qualificados.
“O acesso à energia é a base da transformação produtiva. Sem isso, não há como fazer adição de valor local nem integrar as cadeias de valor globais”, sublinhou. O representante da UNIDO defendeu que Moçambique deve apostar em infraestruturas industriais integradas, como parques industriais, que concentram serviços e reduzem custos, funcionando também como plataformas de energia verde.
Comiche salientou ainda que o país continua excessivamente dependente da exportação de matérias-primas em bruto, o que equivale a uma “exportação de empregos”. Nesse sentido, apelou a um maior esforço em valor acrescentado local, certificação e cumprimento de padrões internacionais de qualidade, fatores que permitirão às empresas moçambicanas competir no mercado global.
“O futuro da diversificação económica passa pela energia sustentável e pela industrialização inclusiva. Os parques industriais podem ser a ponte entre as ambições nacionais e as exigências do mercado internacional”, concluiu.
A 10.ª edição da Cimeira & Exposição de Gás & Energia de Moçambique decorre entre os dias 22 e 24 de Setembro, na cidade de Maputo, reunindo os principais actores do sector energético nacional e internacional.
O evento, organizado em parceria com o Governo de Moçambique, posiciona-se como a principal plataforma de debate e cooperação sobre o futuro energético do país, com enfoque na industrialização, transição energética e desenvolvimento local.
Ao longo de três dias, líderes governamentais, executivos de topo, reguladores, operadores e especialistas partilham perspectivas em torno de temas-chave como o gás natural liquefeito (GNL), energias renováveis, financiamento de projectos, conteúdo local e políticas de transição energética.
A cimeira inclui painéis de alto nível, seminários técnicos, sessões de networking e uma exposição empresarial, promovendo oportunidades concretas de investimento e reforçando o papel de Moçambique como actor estratégico no panorama energético regional e global.
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