A Confederação das Associações Económicas (CTA) defendeu que o Governo deve “evitar a todo o custo” a suspensão da fundição de alumínio Mozal, localizada na província de Maputo, alertando para o desemprego e falência de pequenas empresas. “Evitar a todo o custo o encerramento da fábrica deve ser um objectivo comum, tendo em conta que tal cenário acarretaria consequências económicas e sociais severas, incluindo a falência de pequenas empresas nacionais e o despedimento massivo de trabalhadores”, disse Álvaro Massingue, presidente da CTA. Citado pela Lusa, o representante da classe empresarial nacional afirmou ser preciso identificar soluções equilibradas para salvaguardar os interesses do Estado moçambicano e dos investidores, considerando a Mozal um activo estratégico para a economia do País. “Consideramos, igualmente, que a selecção do contrato actual, por um período adicional de seis a 12 meses, poderá criar espaço necessário para negociações aprofundadas e para a construção de acordos sólidos, duradouros e sustentáveis ​​no médio e longo prazo, assentes numa lógica clara de ganhos mútuos”, acrescentou. Nesta terça-feira (16), o Governo assegurou que está a acompanhar de perto a situação da Mozal, após o anúncio da suspensão das actividades, devido à inexistência de um novo acordo de fornecimento de energia eléctrica. Segundo o porta-voz do Conselho de Ministros, Inocêncio Impissa, existe uma equipa técnica a trabalhar com a empresa e com as entidades envolvidas para evitar impactos negativos sobre os trabalhadores, fornecedores e demais partes interessadas. “Há uma equipa que está a fazer o seu trabalho com a Mozal, com as entidades envolvidas, para garantir que o futuro da empresa não seja prejudicial a nenhuma das partes”, afirmou Inocêncio Impissa. As declarações surgiram na sequência de um comunicado divulgado pela South32, empresa australiana que detém a Mozal, no qual é anunciada a colocação da fundição de alumínio em regime de “care and maintenance” a partir de 15 de Março de 2026, caso não seja assegurado um novo contrato de fornecimento de energia. “Não foi garantido um novo acordo de fornecimento de energia eléctrica e, por isso, a Mozal será colocada em ‘care and maintenance’ por volta de 15 de Março de 2026”, refere a empresa no documento enviado à comunicação social, acrescentando que “as matérias-primas necessárias para sustentar as operações para além de Março de 2026 não foram adquiridas.” De acordo com a South32, continuam em curso negociações com o Governo, com a Hidroeléctrica de Cahora Bassa (HCB) e com a sul-africana Eskom, com vista a garantir um fornecimento de energia suficiente e a preços competitivos após o término do actual contrato. Sem adiantar detalhes sobre o estágio das negociações, Inocêncio Impissa esclareceu que qualquer decisão será tornada pública no momento oportuno. “Quando o resultado estiver efectivamente concluído, será anunciado através do Conselho de Ministros ou pelo Ministério dos Recursos Minerais e Energia, que está a acompanhar as questões substantivas com a Mozal”, explicou.

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