A fundição de alumínio Mozal, localizada na província de Maputo, será colocada em regime de suspensão operacional (“care and maintenance”) a partir de Março de 2026, após a empresa australiana South32 ter falhado a obtenção de um novo acordo de fornecimento eléctrico a preços competitivos, segundo informou o jornal O País.

O anúncio foi feito esta terça-feira (16) pela mineradora sul-africano-australiana, que detém 63,7% da Mozal Aluminium. A decisão surge na sequência de prolongadas negociações com o Governo, com a Hidroeléctrica de Cahora Bassa (HCB) e com a Eskom da África do Sul, sem que tenha sido possível assegurar um novo contrato de fornecimento de energia viável para a continuidade das operações após o termo do acordo actual, em Março de 2026.

“O impasse em torno de um preço de electricidade adequado foi agravado pelas condições de seca que continuam a afectar o fornecimento energético da HCB”, afirmou o presidente executivo da South32, Graham Kerr, citado no comunicado.a d v e r t i s e m e n t

Sem novo contrato em vista, a empresa também não procedeu à aquisição de matérias-primas necessárias para manter a produção após Março do próximo ano.

Como resultado, a Mozal será tecnicamente encerrada a partir de 15 de Março de 2026, implicando custos únicos estimados em 60 milhões de dólares, relativos à cessação de contratos e compensações laborais. A manutenção anual subsequente deverá custar cerca de 5 milhões de dólares.

Kerr lamentou o impacto que esta medida terá sobre os trabalhadores, fornecedores, clientes e comunidades envolventes, sublinhando que a empresa está a desenvolver mecanismos de apoio durante o processo de transição. A Mozal deverá manter, até Março, a sua produção prevista de 240 000 toneladas (quota da South32).

A empresa assegura que o alumínio processado na refinaria de Worsley Alumina, na Austrália, que antes se destinava à Mozal, será redireccionado para clientes terceiros mediante contratos com preços indexados.

A Mozal é uma das principais exportadoras industriais do País, sendo detida maioritariamente pela South32, com participações adicionais da Industrial Development Corporation da África do Sul (32,4%) e do Estado moçambicano (3,9%).a d v e r t i s e m e n t

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