a d v e r t i s e m e n tJoanesburgo, a cidade mais rica da África do Sul e pólo económico, recebeu um voto de confiança da Moody’s Ratings, apesar de um historial de disfunção política e despesas perdidas que levaram o Governo a ameaçar retirar financiamento.
As classificações de crédito da cidade reflectem “o seu sólido desempenho operacional, níveis de dívida moderados e uma economia local grande e diversificada, apoiada por gestão financeira prudente e acompanhamento rigoroso da execução orçamental e fluxo de caixa”, escreveram os analistas da Moody’s Irena Krizkovska e Marie Diron, após uma revisão das finanças da cidade realizada no mês passado.
“Ao longo dos anos, a cidade manteve consistentemente margens operacionais positivas e rácios de liquidez moderados a baixos”, afirmaram os analistas, reconhecendo, porém, que Joanesburgo enfrenta pressões devido a atrasos em infra-estruturas e ao crescimento populacional, o que tem levado ao aumento da dívida.
A avaliação da Moody’s — que não constituiu uma acção de classificação — parece divergir da visão do Governo sul-africano e dos líderes empresariais. Em Agosto, o ministro das Finanças Enoch Godongwana exigiu explicações para 1,38 mil milhões de dólares de “despesas não autorizadas, irregulares, infrutíferas e desperdiçadas”, advertindo que a cidade corre o risco de perder financiamento governamental se o dinheiro não for recuperado.
Em Setembro, líderes empresariais indicaram que têm discutido com o Governo a possibilidade de ajudar a salvar Joanesburgo do declínio. A cidade, que irá acolher os chefes de Estado do Grupo dos 20 (G20) no próximo mês, estava com 12,5 mil milhões de dólares em atraso relativamente à manutenção e actualizações necessárias para os sectores da água, energia e infra-estruturas rodoviárias no ano passado, segundo documentos consultados pela Bloomberg.
A deterioração das infra-estruturas de água, energia e estradas em Joanesburgo tornou-se um ponto de conflito político e símbolo de como o Governo de coligação instável está a causar o declínio de algumas das maiores cidades do país. A metrópole de 5 milhões de habitantes representa cerca de 16% do Produto Interno Bruto (PIB) da África do Sul e alberga a principal bolsa de valores nacional e muitas das suas maiores empresas.
Actualmente, a cidade é gerida por uma coligação liderada pelo Congresso Nacional Africano. A Aliança Democrática, o segundo maior partido a nível nacional e no Conselho Municipal, procura retomar a cidade nas eleições autárquicas do próximo ano, destacando a sua disfunção.
Joanesburgo possui uma classificação de crédito de longo prazo Ba3 pela Moody’s, com perspectiva estável. Embora três níveis abaixo do grau de investimento, é superior a qualquer outra cidade sul-africana, excepto da Cidade do Cabo, classificada Ba2, em paridade com o Governo nacional.
Fonte: Bloomberg
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