A primeira-ministra, Benvinda Levi, afirmou que Moçambique ainda apresenta focos da pobreza extrema, apesar dos avanços alcançados nos últimos 30 anos, em matérias de desenvolvimento económico e social. As declarações foram feitas nesta terça-feira, 4 de Novembro, durante a plenária da 2.ª Cimeira Mundial sobre o Desenvolvimento Social, que decorre em Doha, capital Qatar. Na sua intervenção, segundo avançou uma publicação da Agência de Informação de Moçambique, a governante descreveu que os progressos económicos, sociais e tecnológicos que se registam no País e no mundo inteiro, nas últimas décadas, ainda não estão a produzir os impactos desejáveis. “Consideramos que este evento é uma excelente oportunidade para reafirmarmos os dez compromissos que assumimos, colectivamente, na Cimeira de Copenhaga, em 1995, assim como renovar a nossa determinação de acelerar as acções para a erradicação da pobreza, a promoção do pleno emprego e do trabalho decente, bem como a inclusão social”, acrescentou a dirigente. Para reverter a actual situação da pobreza extrema no País, o Governo, de acordo com Benvinda Levi, tem vindo a implementar acções transversais que constam nos seus instrumentos programáticos de longo, médio e curto prazo, com destaque para a Estratégia Nacional de Desenvolvimento 2025-44 (ENDE), para o Programa Quinquenal do Governo 2025-29, e para o Plano Económico e Social, e Orçamento do Estado referente ao ano corrente. Recentemente, o Banco Mundial (BM), citando dados da Visual Capitalists, revelou que Moçambique é o segundo país africano com os níveis mais elevados de pobreza extrema em África. A organização avançou ainda que o continente representa 20 dos 30 países em situação de vulnerabilidade severa, sublinhando os desafios contínuos, incluindo o lento crescimento industrial, infra-estruturas fracas e acesso limitado a serviços sociais essenciais. “A República Democrática do Congo ocupa o primeiro lugar no continente, com 85,3% da sua população a viver abaixo do limiar da pobreza. Moçambique segue com 82,2%, enquanto o Maláui e o Burundi registam 75,4% e 74,2%, respectivamente”, sublinhou o BM. Segundo a entidade financeira, em muitos países, o ritmo lento do crescimento industrial e o acesso reduzido a serviços modernos têm limitado as oportunidades de rendimento e os padrões de vida. Mesmo em economias relativamente diversificadas, como o Quénia e o Uganda, quase metade da população ainda vive em pobreza extrema. A situação tem sido afectada por pressões inflacionárias e protestos contínuos em algumas partes do Quénia, enquanto desafios institucionais, a fraca criação de empregos e o acesso limitado à educação, saúde e infra-estruturas persistem no Uganda. Organizada pelas Nações Unidas, a 2.ª Cimeira Mundial para o Desenvolvimento Social, que termina quinta-feira (6), visa colmatar as lacunas e renovar os compromissos assumidos na Declaração de Copenhaga sobre Desenvolvimento Social e no Programa de Acção de 1995, além de impulsionar a implementação da Agenda 2030, para o desenvolvimento sustentável.advertisement
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