advertisemen tO Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD) alertou que Moçambique pode estar perante uma situação de cheias potencialmente mais grave do que a registada em 2000, onde aproximadamente 800 pessoas morreram, naquele que é considerada uma das maiores catástrofes naturais da história do País. “Comparada com a de 2000, podemos dizer que esta situação é um pouco mais grave porque afecta um conjunto de províncias que naquele período não chegaram a ser atingidas”, afirmou o vice-presidente do INGD, Gabriel Monteiro, citado numa publicação da Agência de Informação de Moçambique. Intervindo durante a realização de trabalhos de monitoria na província de Maputo, o responsável destacou uma diferença crucial que poderá evitar uma catástrofe de maiores proporções, nomeadamente a experiência e a preparação acumulada pelo INGD e pelo Governo ao longo dos últimos anos. “Estamos perante uma época chuvosa anómala, caracterizada por precipitações intensas e concentradas num curto espaço de tempo, associadas a uma depressão atmosférica que afectou sobretudo a zona Sul do País. Diferente de 2000, actualmente, felizmente contamos com mais experiência”, descreveu. De acordo com o vice-presidente, ainda há riscos acrescidos, sobretudo nas próximas semanas, principalmente com a aproximação do mês de Fevereiro, período crítico de ocorrência de ciclones, e tendo em conta que a África do Sul já se encontra em estado de emergência, situação que pode resultar no aumento do caudal dos rios partilhados. As cheias de 2000 em Moçambique foram provocadas por chuvas intensas e ciclones tropicais, que atingiram sobretudo as bacias dos rios Limpopo, Incomáti, Umbelúzi e Save, afectando gravemente o sul e centro do País. O desastre deixou milhões de afectados, destruiu infra-estruturas, habitações e campos agrícolas e provocou elevados prejuízos económicos. O Governo enfrenta um défice de 6,6 mil milhões de meticais para responder à actual época chuvosa, num contexto em que são necessários 14 mil milhões de meticais para assegurar a assistência humanitária, apoio aos deslocados, serviços de saúde e alimentação nos centros de acomodação. A informação foi avançada esta terça-feira (20), pelo porta-voz do Conselho de Ministros, Inocêncio Impissa, no final da sessão do Executivo, durante a qual foi feito o ponto de situação da capacidade financeira do Estado face às inundações que afectam várias regiões do País. Recentemente, o Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres fez saber que morreram 85 pessoas, 70 ficaram feridas e outras 105,1 mil foram afectadas pelas mudanças climáticas durante a época chuvosa 2025-26. Moçambique está em plena época chuvosa, um período que tem sido marcado por alertas de chuvas e ventos fortes, principalmente nas zonas Centro e Sul do País, com as autoridades a activarem acções de antecipação às cheias e inundações naquelas regiões. O País é considerado um dos mais severamente atingidos pelas alterações climáticas, enfrentando ciclicamente cheias e ciclones tropicais. Nas últimas chuvas, entre 2024-25, Moçambique foi atingido pelos ciclones Chido, Dikeledi e Jude que causaram a morte de pelo menos 313 pessoas, feriram 1255 e afectaram mais de 1,8 milhão. Os eventos extremos provocaram pelo menos 1016 mortos em Moçambique entre 2019 e 2023, afectando cerca de 4,9 milhões de pessoas, segundo dados do Instituto Nacional de Estatística.advertisement

Post a comment

Your email address will not be published.

Related Posts