A entrada oficial da África do Sul como membro soberano do Banco Africano de Exportações e Importações (Afreximbank) deverá abrir novas oportunidades de financiamento para projectos estratégicos com impacto regional, incluindo investimentos já em curso em território moçambicano, segundo informou o portal Engineering News. O anúncio foi feito esta quarta-feira (4), em Joanesburgo, durante a cerimónia de assinatura do acordo de adesão da África do Sul à Afreximbank, testemunhada pelo Presidente Cyril Ramaphosa e pelo ministro do Comércio, Indústria e Concorrência, Parks Tau. Na ocasião, o presidente do banco, George Elombi, revelou que está reservado um pacote inicial de 8 mil milhões de dólares para apoiar os pilares do Plano Nacional de Desenvolvimento sul-africano, com forte componente de industrialização, energia e transformação local de recursos. Entre os projectos com ligação directa a Moçambique, Elombi destacou a participação anterior do Afreximbank no projecto de gás natural liquefeito da Área 1, na bacia do Rovuma, através de um mecanismo de partilha de riscos com a Export Credit Insurance Corporation (ECIC) da África do Sul. Este projecto, avaliado em 24 mil milhões de dólares, representa o maior investimento privado em curso em África e conta com envolvimento de bancos e agências de crédito internacionais. Para além do gás, Elombi referiu que o banco financiou ainda os estudos de viabilidade para a implantação de uma unidade de produção de pigmento de dióxido de titânio da Nyanza Light Metals, avaliada em 500 milhões de dólares, na Zona de Desenvolvimento Industrial de Richards Bay, com potencial de ligação a matérias-primas oriundas da região austral, incluindo Moçambique. Segundo o responsável do Afreximbank, a adesão plena da África do Sul como accionista com direito de voto reforça a capacidade do banco em dinamizar projectos de integração económica regional, abrangendo cadeias de valor transfronteiriças. “Pretendemos investir na transformação local dos recursos naturais, ampliar a base fiscal e gerar emprego e riqueza para os nossos povos”, afirmou Elombi, acrescentando que o apoio à geração e transmissão de energia será também uma prioridade. Para Moçambique, a estratégia da Afreximbank poderá representar uma via alternativa de financiamento para projectos estruturantes, sobretudo em sectores como energia, logística, agro-indústria e infra-estruturas de exportação. A proximidade estratégica com a África do Sul e a crescente interdependência económica entre os dois países colocam Moçambique numa posição favorável para beneficiar de iniciativas conjuntas promovidas no âmbito da Zona de Comércio Livre Continental Africana (AfCFTA). Wamkele Mene, secretário-geral da AfCFTA, sublinhou que a adesão sul-africana ocorre num contexto de fragmentação económica global, defendendo que África deve “apostar no desenvolvimento com recursos próprios, através do fortalecimento de instituições financeiras continentais”.advertisement

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