Moçambique emitiu três milhões de créditos de carbono do potencial de cerca de 100 milhões que tem disponíveis para comercializar nas áreas de energia, mar e florestas, noticiou, nesta sexta-feira, 24 de Outubro, a Lusa. “Moçambique tem um potencial de cerca de 100 milhões de créditos de carbono disponíveis, mas estes estão distribuídos, da análise que foi feita, actualmente, em três áreas principais – energia, mar e florestas”, afirmou Luis Nhamucho, especialista em mudanças climáticas no Ministério da Agricultura, Ambiente e Pescas, durante um workshop sobre carbono azul, em Maputo. Na área energética, o representante assinalou a possibilidade de gerar créditos de carbono em vários projectos para comercializar no mercado de carbono: “Por exemplo, os projectos de energias limpas, onde podemos implementar sistemas de painéis solares, que também podem gerar créditos de carbono.”advertisement A mesma fonte destacou o “potencial de geração de créditos de carbono na área do mar e da água” através dos mangais e na parte marinha. Segundo Nhamucho, no sector florestal, o País já tem uma capacidade instalada para a geração de carbono, através da experiência adquirida no projecto da Redução de Emissões do Desmatamento, Degradação florestal e aumento das reservas de carbono (REDD+), implementado na província de Zambézia, região Centro. “Com a implementação deste projecto, Moçambique já conseguiu ter um financiamento de cerca de 6 milhões de dólares, pelas acções que teve no contexto de evitar o desmatamento”, explicou, acrescentando que a iniciativa abre também a possibilidade de geração de créditos de carbono. Além do potencial e as áreas que são adjacentes ao potencial dos 100 milhões projectados, Nhamucho apontou que o País já teve cerca de três milhões de créditos emitidos: “Dessas emissões, nós temos plataformas internacionais que garantem o registo dessas emissões, das quais 2,4 milhões estão numa plataforma chamada Gold Standard.” O representante elencou, entre os benefícios do mercado de carbono no sector climático, a ajuda nos financiamentos e criação de incentivos para financiar actividades de mitigação às mudanças climáticas, além de incentivar os países e as empresas a investirem em projectos que reduzem as emissões de carbono. Em 2023, Moçambique tinha cerca de 45 milhões de créditos de carbono prontos para serem negociados, de acordo com o anunciado, então, pela ministra da Terra, Ivete Maibaze. Na altura, a governante explicou também que, para explorar o potencial do mercado de carbono, Moçambique se tinha tornado membro da Iniciativa Africana dos Mercados de Carbono e iniciado a elaboração de um Plano de Activação do Mercado de Carbono, com um grupo de trabalho a dar prioridade à produção de um quadro regulamentar abrangente e propício.

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