
Milhares de manifestantes marcharam esta quarta-feira em Londres para mostrar desagrado tanto com a visita do Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ao Reino Unido, como com o primeiro-ministro, Keir Starmer, que fez o convite oficial. O protesto, organizado pela Coligação Contra Trump (Stop Trump Coalition), mobilizou diversas organizações, incluindo sindicatos, movimentos antirracismo e grupos pró-Palestina. Os manifestantes concentraram-se em Portland Place, perto do consulado de Portugal em Londres, seguindo até à Praça do Parlamento, num percurso que levou ao encerramento de várias ruas centrais e a uma operação de segurança com mais de 1.600 agentes. Na multidão destacavam-se algumas réplicas em menor escala do “Baby Trump”, o emblemático balão de seis metros de altura em forma de bebé com fraldas e telemóvel usado em protestos anteriores e entretanto doado ao Museu de Londres. Miles Barlow, de 39 anos, meteu um dia de férias e viajou dos subúrbios da capital britânica com um cartaz onde escreveu um impropério dirigido ao chefe de Estado norte-americano. “Eu aceito que tenhamos de ter relações diplomáticas com os Estados Unidos, mas não acho que seja necessário gastar milhões de libras para receber um chauvinista, sexista, racista e fascista”, disse à agência Lusa. Segundo este britânico, Trump simboliza uma série de ideias políticas com as quais discorda e entende que o Governo britânico “deveria unir-se aos vizinhos europeus em vez de receber Trump com esta pompa”. “Envergonha-me a forma como Starmer está a rebaixar-se”, lamentou, opinião partilhada por Alexander, um estudante que criticou a forma como as universidades norte-americanas têm sido perseguidas pela atual administração. “Donald Trump tem um efeito muito negativo sobre a democracia. Vimos ações muito autoritárias por parte do seu governo nos Estados Unidos e o governo britânico não deveria tolerar isso, dignificando-o com uma visita de Estado”, disse à Lusa. Na opinião de Alexander, ao convidar Trump para uma segunda visita de Estado, algo inédito para um líder dos EUA, Keir Starmer está, “indiretamente, a tolerar as ações que ele tem vindo a tomar”. Outro manifestante, Madison Rogers, mostrou-se mais compreensivo com Starmer, pois entende que Trump “detém muito poder”. “Acho que temos de tentar trabalhar com ele, em vez de contra ele”, comentou. “Por outro lado, sou totalmente a favor de que as pessoas se manifestem contra ele. É por isso que estou aqui hoje. A política dele não é bem-vinda, e nós e milhares de outras pessoas queremo-lo fora”, disse Madison. O protesto coincidiu com o primeiro dia da visita do Presidente dos Estados Unidos ao Reino Unido que, por razões de segurança, ocorreu totalmente dentro dos muros do Castelo de Windsor, a 35 quilómetros de Londres. Outros protestos foram convocados hoje para várias cidades do país, como Bristol, Leeds, Liverpool, Manchester, Newcastle ou Cardiff. Trump chegou ao Reino Unido na terça-feira à noite acompanhado pela mulher, Melania, e foi recebido esta manhã pelo Rei Carlos III com uma série de cerimónias no interior da propriedade da família real, não estando programado qualquer evento público. Na quinta-feira, Trump segue para Chequers, a residência de campo do primeiro-ministro, Keir Starmer, para uma reunião de trabalho e uma conferência de imprensa que fecharão o programa oficial da visita. Uma sondagem da empresa YouGov publicada pela estação SkyNews indicava que quase metade dos britânicos (45%) é desfavorável à visita de Trump, contra 30% a favor. Na noite passada, imagens de Trump ao lado de Jeffrey Epstein foram projetadas nas paredes do castelo pelo grupo ‘Led by Donkeys’ para denunciar a proximidade entre o Presidente e o empresário norte-americano condenado por crimes sexuais contra menores, resultando na detenção de quatro pessoas. Sempre que Trump visita o Reino Unido tem sido recebido com protestos, nomeadamente aquando da viagem privada à Escócia em julho deste ano e noutras passagens por Londres.
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