Citado na edição de hoje do jornal britânico Financial Times, Brad Smith destacou a rápida adoção da tecnologia da DeepSeek – uma ‘startup’ chinesa de IA – em mercados emergentes como a Etiópia e o Zimbabué, onde o modelo R1 da empresa ganhou terreno graças à sua acessibilidade.

“Temos de reconhecer que a China possui agora um modelo de código aberto competitivo, beneficiando de subsídios governamentais que permitem, na prática, vender abaixo do custo das empresas norte-americanas”, afirmou o responsável.
Segundo uma investigação da própria Microsoft, o modelo R1, lançado há um ano, acelerou a adoção da IA no chamado Sul Global, sobretudo devido ao seu custo reduzido.

O cofundador da Microsoft, Bill Gates, partilhou uma publicação de blogue onde considera que, apesar das “ameaças consideráveis” colocadas pela Inteligência Artificial, é a invenção “que mais vai mudar a humanidade”.
Miguel Patinha Dias | 19:35 – 13/01/2026

Nos dados citados, a DeepSeek detém atualmente uma quota de 18% do mercado de IA na Etiópia e 17% no Zimbabué. Em países com limitações ao uso de tecnologia norte-americana, como Bielorrússia (56%), Cuba (49%) e Rússia (43%), a empresa chinesa também lidera.
Enquanto isso, gigantes norte-americanas como OpenAI, Google e Anthropic têm optado por manter controlo exclusivo sobre os seus modelos mais avançados, comercializando-os através de subscrições ou contratos empresariais.
Smith apelou a um reforço do investimento em África, defendendo a mobilização de bancos multilaterais de desenvolvimento para financiar infraestruturas como centros de dados e custos energéticos.
“Se dependermos apenas do capital privado, não será suficiente para competir com rivais fortemente subsidiados”, sublinhou.

A aplicação para digitalizar documentos com o telemóvel Microsoft Lens vai desaparecer definitivamente no dia 9 de fevereiro, quando será retirada das lojas digitais App Store e Google Play Store.
Lusa | 13:19 – 13/01/2026

Especialistas africanos, como Bright Simons, do grupo de reflexão IMANI (Gana), consideram que, embora não haja dados científicos conclusivos sobre a liderança da DeepSeek, os sistemas chineses de código aberto oferecem alternativas viáveis para países com menos recursos.
Simons também referiu o uso crescente de modelos linguísticos locais, como o pan-africano Masakhane e o sul-africano InkubaLM.
A Microsoft alertou ainda para o risco de aprofundamento da “divisão digital” entre norte e sul.
No quarto trimestre de 2025, cerca de 24% da população dos países desenvolvidos do norte utilizava IA, contra apenas 14% no sul, segundo o estudo da empresa.
Brad Smith avisou que o desinteresse do Ocidente em apoiar a adoção de IA em regiões como África poderá abrir espaço a sistemas “não alinhados com os valores democráticos”.
“Ignorar o futuro de África é ignorar o futuro do mundo”, concluiu.
Leia Também: Executivo da Microsoft desmente que empresa está a preparar despedimentos

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