advertisemen tA semana económica em Moçambique revela pressões crescentes em diversos sectores, com destaque para a escassez de divisas, a desaceleração do crescimento económico e o aumento da circulação monetária. A consultora britânica Oxford Economics antecipou uma desvalorização gradual do metical ao longo de 2026, resultado da sobrevalorização cambial que se tem registado nos últimos anos e da limitada disponibilidade de reservas em moeda estrangeira. Segundo a análise da Oxford Economics, Moçambique integra o grupo de países africanos com maior risco de reestruturação da dívida soberana ou incumprimento financeiro, juntamente com Angola, Maláui e Senegal. A consultora indicou que uma correcção cambial poderá ser uma das condições para a conclusão de um novo acordo de financiamento com o Fundo Monetário Internacional (FMI), previsto ainda para o primeiro trimestre do ano. A pressão sobre a dívida pública afecta directamente sectores essenciais como a educação, a saúde e as infra-estruturas. A revisão em baixa do crescimento económico, de 3,8% para 3,3% em Moçambique e de 3,2% para 2,8% em Angola, reflecte a vulnerabilidade da economia e a necessidade de ajustamentos estruturais para sustentar o desenvolvimento. BM revê em baixa a previsão de crescimento económico para este ano O Banco Mundial (BM) reviu em baixa a previsão de crescimento económico de Moçambique para 2,8% em 2026, destacando factores como a fraqueza persistente do investimento, a escassez de divisas e os efeitos da agitação pós-eleitoral. A instituição prevê uma recuperação moderada em 2027, com crescimento estimado em 3,5%, após a desaceleração registada em 2025, quando a economia cresceu apenas 1,1%. Os economistas do BM salientaram que a retoma económica depende da continuidade das políticas de restrição cambial e da necessidade de restabelecer a confiança nos mercados. A instabilidade política e social após as eleições de 2024 tem pressionado o ambiente de negócios, dificultando o investimento privado e público no País. Dinheiro em circulação aproxima-se de máximos históricos Por outro lado, o Banco de Moçambique revelou que o montante de dinheiro físico em circulação aumentou 6,2% no último ano, atingindo 958,9 milhões de euros, valor próximo do máximo histórico registado em Junho de 2025. O crescimento da base monetária contrasta com os esforços anteriores do banco central de adoptar políticas contraccionistas para conter a inflação e estabilizar a moeda. Em Outubro de 2024, a circulação monetária situava-se nos 903,2 milhões de euros, tendo registado quedas mensais consecutivas durante a fase inicial da nova série do metical. Esta redução foi atribuída a medidas destinadas a conter pressões inflacionistas, que entretanto foram superadas pelo aumento sustentado da circulação nos meses seguintes. O crescimento da moeda em circulação coincidiu com uma inflação mais moderada, que em 2025 abrandou para 3,23%, valor significativamente abaixo da estimativa inicial do Governo de cerca de 7%. Este cenário indica que, apesar do aumento da base monetária, a pressão inflacionista manteve-se controlada, garantindo maior estabilidade no poder de compra da população. O aumento do numerário reflecte também a necessidade de liquidez para suportar a actividade económica em contextos de escassez de divisas. Esta situação é particularmente relevante para sectores dependentes de transacções em numerário, como o comércio informal e o retalho. Fonte: Florença Nhabindea dvertisement
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