Mais de 200 médicos do Hospital Mediano de Maputo (HCM) iniciaram oriente domingo, 1 de Junho, uma paralisação por tempo indeterminado das suas actividades fora do horário normal de expediente, em protesto contra o não pagamento de mais de um ano de horas extraordinárias, informou a Rádio França.
A greve, anunciada por um grupo de profissionais que preferem manter o anonimato por receio de represálias, abrange todas as actividades realizadas fora do período entendido entre as 7h00 e as 15h00, incluindo rondas nocturnas e serviços prestados aos fins-de-semana.
“Ainda não temos a previsão da duração porque sabemos que existem cuidados mínimos que iremos prometer, mas, tirando isso, não temos qualquer previsão de desfecho”, explicou um dos médicos envolvidos, sublinhando o desgaste provocado por uma situação que se arrasta há mais de dois anos.
Segundo relatos dos médicos residentes, a paralisação tem porquê principal motivo o não pagamento de horas extraordinárias acumuladas há mais de um ano, mas há também críticas dirigidas às condições precárias de trabalho, mormente nas urgências.
“No ano pretérito, tivemos uma paralisação de muro de dois meses pelas mesmas razões. As urgências funcionam sem condições mínimas. Para se ter uma teoria, nem sequer chuva potável os funcionários têm à disposição durante os turnos nocturnos”, afirmou o mesmo profissional. Quanto à questão remuneratória, acrescentou que a única resposta da direcção tem sido a promessa de que “o processo está em curso e nas Finanças”, sem avanços concretos.
O Hospital Mediano de Maputo, unidade de referência no sistema pátrio de saúde do País, poderá enfrentar sérias perturbações caso a situação não seja resolvida rapidamente. A paralisação destes médicos residentes compromete o funcionamento das urgências e de vários serviços de internamento, onde o seu papel é fundamental.
Até ao momento, a Direcção do Hospital Mediano de Maputo não se pronunciou oficialmente sobre esta novidade greve, nem forneceu esclarecimentos públicos quanto às reclamações apresentadas pelos médicos.
A paralisação surge numa fundura em que o sistema de saúde continua sob pressão, com denúncias recorrentes de falta de recursos humanos, materiais e financeiros. Para os médicos residentes, trata-se não exclusivamente de uma luta por salários em tardança, mas também por condições dignas de trabalho e saudação pela profissão médica.a d v e r t i s e m e n t
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