Um empresário luso-moçambicano foi raptado ao início da manhã desta terça-feira (7), na baixa da cidade de Maputo, junto ao seu estabelecimento comercial, confirmou à agência Lusa o Serviço Nacional de Investigação Criminal (SERNIC).
Segundo a agência noticiosa, o crime ocorreu por volta das 6h00, na avenida Zedequias Manganhela, quando seis indivíduos fortemente armados, munidos de espingardas do tipo AKM e pistolas, interpelaram a vítima e obrigaram-na a entrar numa viatura sem matrícula. O grupo colocou-se em fuga de imediato, sem deixar rasto.
Testemunhas oculares relataram que o homem, com cerca de 60 anos de idade, é proprietário de uma empresa de venda de acessórios para viaturas. Imagens captadas no local mostram o momento em que, ao sair do seu carro, o empresário foi surpreendido por dois dos presumíveis raptores, que o arrastaram para dentro do veículo. Um terceiro elemento juntou-se ao grupo segundos depois, tendo a viatura abandonado o local a alta velocidade.
As autoridades policiais afirmaram estar a envidar todos os esforços para identificar os autores do crime e proceder à sua captura. Este é o primeiro caso de rapto tornado público no País desde meados de Junho, altura em que um cidadão de nacionalidade libanesa foi igualmente raptado na capital.
De acordo com dados fornecidos pela Polícia da República de Moçambique, os casos de rapto em Maputo diminuíram significativamente nos primeiros cinco meses do ano, com quatro ocorrências face às oito registadas no mesmo período de 2024.
Ainda assim, o fenómeno continua a preocupar o sector empresarial. Segundo informações divulgadas pela Confederação das Associações Económicas de Moçambique (CTA), nos últimos 12 anos cerca de 150 empresários foram vítimas de rapto no País, e mais de uma centena terá abandonado o território por razões de segurança.
Em Abril último, a antiga procuradora-geral da República, Beatriz Buchili, afirmou no Parlamento que muitos dos raptos ocorridos em Moçambique são planeados a partir do estrangeiro, com especial incidência na vizinha África do Sul. Até Março deste ano, o Ministério do Interior contabilizava 185 raptos registados desde 2011, tendo sido detidas 288 pessoas por suspeita de envolvimento neste tipo de crimes.
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