A suspensão das licenças de exploração mineira na província de Manica permitiu reduzir em mais de 50% os níveis de turbidez da albufeira de Chicamba, no centro de Moçambique. A medida, aplicada ao longo de 2025, resultou em melhorias visíveis na qualidade da água daquele reservatório. Segundo Salvador Mamela, director da divisão da bacia do Buzi, foi registada “uma diminuição do nível de turbidez na ordem de 100 Unidades Nefelométricas de Turbidez (NTU), o que corresponde a uma redução de cerca de 50%”. A NTU é uma medida utilizada para avaliar o grau de turvação da água, indicando a quantidade de partículas em suspensão que dificultam a sua transparência. De acordo com Salvador Mamela, esta redução representa uma mudança significativa na aparência da água, sobretudo no que diz respeito à sua coloração, tornando-a mais limpa e visualmente menos contaminada. Antes da suspensão da actividade mineira, a situação da albufeira era considerada crítica. Os níveis de turbidez chegaram a atingir 250 NTU, um valor elevado que reflectia a forte contaminação do recurso hídrico. “A albufeira passava por situações muito drásticas”, recordou o responsável, sublinhando o impacto directo da mineração desordenada sobre a qualidade da água. Para além da melhoria da qualidade da água, Salvador Mamela destacou ganhos ao nível da capacidade de armazenamento da albufeira. “Ganhámos uma cota de quatro metros em termos de coluna de água, o que é bastante positivo”, afirmou, acrescentando que este aumento contribui para uma melhor gestão dos recursos hídricos. A suspensão das licenças mineiras ocorreu após o Governo analisar um relatório elaborado pelo Comando Operativo das Forças de Defesa e Segurança, que esteve destacado na província de Manica entre os dias 17 e 19 de Julho de 2025. O documento concluiu existir um cenário de mineração descontrolada, incluindo por parte de operadores devidamente licenciados. O relatório indicou ainda que algumas empresas exploravam recursos minerais sem planos de recuperação ambiental e sem sistemas adequados de contenção de resíduos, agravando a degradação dos solos e a poluição dos cursos de água. Face a este quadro, o Executivo considerou a suspensão das licenças uma decisão necessária para travar os danos ambientais. Em Dezembro, o Governo anunciou que as empresas mineiras dispunham de um prazo de 90 dias para repor e estabilizar os solos afectados, bem como para restaurar os caudais dos rios impactados pela actividade. O ministro dos Recursos Minerais e Energia, Estêvão Pale, afirmou, na ocasião, que estavam em curso medidas concretas para conter os danos ambientais. Por sua vez, o Presidente da República, Daniel Chapo, declarou, a 17 de Setembro do ano passado, que a mineração em Manica estava a provocar um “desastre ambiental”, admitindo mesmo a possibilidade de uma suspensão total da actividade. O Executivo classificou a situação como crítica e criou uma comissão interministerial para responder à grave poluição dos rios da província. Fonte: Lusa
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