
O Livre vai apresentar um pacote de propostas para a coesão territorial, voltando a propor o acesso ao subsídio de desemprego para trabalhadores que se mudem, sem emprego, para o interior do país. O anúncio foi feito pelo porta-voz do Livre, Rui Tavares, à comunicação social nesta quarta-feira, 3 de setembro, depois de o partido ter reunido com o Governo sobre políticas de coesão, reconhecimento da Palestina e a proposta de Orçamento do Estado (OE) para 2026. O Livre pretende apresentar o pacote de medidas até que seja entregue, ao Parlamento, a proposta de OE 2026 (ou seja, até 10 de outubro). Entre as propostas está um alargamento do subsídio de desemprego, para que quando uma família se muda para o interior do país, se um dos membros não tiver emprego, possa aceder à prestação. O Livre vai retomar, assim, uma medida que já tinha apresentado no passado, durante a discussão do Orçamento do Estado para 2022. Embora tenha sido aprovado inicialmente, este alargamento do subsídio de desemprego ficou de fora da versão final do documento. Na altura, liderava o Governo o socialista António Costa. Já sobre a proposta de OE 2026, o Livre diz que é desejável “cooperação” entre Governo e os partidos com assento parlamentar. “Logo veremos se o Governo quer contar com contributos amplos ou se o Governo quer manter um namoro preferencial com o Chega”, afirmou Rui Tavares. O deputado do Livre lembrou que “os portugueses entenderam não dar a maioria absoluta a um partido nas eleições legislativas”. O Livre indicou ainda que o Governo prevê uma dívida pública abaixo dos 90% do PIB no próximo ano – tal como a maioria das instituições económicas – e que um crescimento da economia “pouco acima dos 2%, ou em torno dos 2%” ainda este ano. “Este era um Governo que dizia que era fácil crescer acima dos 3%, aparentemente não é fácil crescer acima dos 3%”, criticou Rui Tavares. Governo “não pode lavar as mãos” na questão da flotilha Rui Tavares disse também que o Livre fez várias críticas à postura do Governo com a Flotilha da Liberdade, que levava três portugueses, incluindo a deputada Mariana Mortágua, numa missão humanitária até à Palestina. “Ou tinha desaconselhado a ida ou então tem obrigações de acompanhamento – e até de proteção (da flotilha), já que há uma representante do povo português eleita”, disse. “Não pode lavar as mãos e dizer que se vão é por sua própria conta e risco”, criticou. Rui Tavares defendeu ainda que o Governo deva chamar o embaixador de Israel em Lisboa sobre a situação. “Quando Israel diz que estes portugueses vão ser tratados como terroristas, o Governo devia chamar o embaixador e dizer que não são terroristas, são humanitários”, disse. Rui Tavares defendeu ainda o reconhecimento do Estado da Palestina pelo Estado português, mas defendeu que isso implica que a ação de Israel no enclave “deve ser (então) interpretada como invasão de território estrangeiro”, exigindo ações concretas nesse sentido. “Se não (o reconhecimento) é só simbólico”, lamentou.
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