
O responsável pelo Instagram, Adam Mosseri, partilhou uma mensagem de Ano Novo na respetiva página na rede social Threads onde reconhece que o conteúdo gerado por via de Inteligência Artificial está, de facto, a tomar conta dos feeds dos utilizadores. No entanto, Mosseri não parece preocupado com esta tendência. “Tudo o que fazia dos criadores de conteúdos importantes – a capacidade de serem autênticos, de se conectarem, de terem uma voz que não podia ser falsificada – está agora acessível a qualquer pessoa com as ferramentas certas”, afirmou Mosser, não só reconhecendo que os feeds estavam a “encher-se de conteúdo sintético” como também que há agora “muito conteúdo incrível que é gerado com Inteligência Artificial”. Apesar disso, Mosseri reconhece que deve conseguir distinguir-se entre conteúdo criado com Inteligência Artificial e fotografias e vídeos de pessoas reais, notando que será muito mais fácil identificar o segundo tipo nas redes sociais. “As plataformas de redes sociais vão começar a ser mais pressionadas para identificarem conteúdo gerado por Inteligência Artificial”, previu Mosseri. “Todas as grandes plataformas farão um bom trabalho a identificar conteúdo de Inteligência Artificial, mas ficarão piores ao longo do tempo à medida que a Inteligência Artificial fica melhor a imitar a realidade”. Desta forma, Mosseri acredita que é mais realista assumir que não será possível identificar com sucesso todos os conteúdos que sejam gerados por Inteligência Artificial, acreditando que será mais pragmático e eficaz fazê-lo com conteúdo de pessoas reais. “Há um número cada vez maior de pessoas, nas quais me incluo, que acreditam que será mais prático identificar conteúdo real em vez de o fazer com falso”, afirmou Mosseri nesta publicação. Vídeos de Inteligência Artificial invadem o YouTube O Instagram não é a única plataforma digital a lidar com o aumento de conteúdo gerado com Inteligência Artificial. Um estudo levado a cabo pela Kapwing alerta para o elevado número de vídeos no YouTube considerados AI Slop e conteúdo de brainrot. Recordar que o termo AI Slop é usado para categorizar vídeos gerados por Inteligência Artificial de baixa qualidade criados simplesmente para gerar visualizações, enquanto brainrot diz respeito a vídeos repetitivos, bizarros que, apesar de serem de fácil visualização, também não oferecem qualquer conteúdo. A Administração do Ciberespaço da China está a elaborar uma nova proposta para regular e limitar bots de conversação e ferramentas de Inteligência Artificial que “simulam uma personalidade humana e interagem com os utilizadores de forma emocional através de texto, imagens, áudio ou vídeo”. Miguel Patinha Dias | 10:27 – 30/12/2025 O estudo em questão consistiu em criar uma nova conta no YouTube e avaliar os primeiros 500 vídeos recomendados pela plataforma. Entre os vídeos recomendados, 104 (cerca de 21%) foram avaliados como AI Slop, enquanto outros 165 vídeos (cerca de 33%) foram categorizados como brainrot. A Kapwing nota que a prevalência destes vídeos vai mais além do sistema de recomendação do YouTube e encontra-se até em canais criados apenas para o efeito de gerar visualizações com conteúdo de baixa qualidade. Coletivamente, estes canais acumulam milhares de milhões de visualizações e (por conseguinte) dezenas de milhões de dólares em receita, sendo que é em Espanha que encontramos o maior número de subscritores que seguem este tipo de canais, seguindo-se o Egito, os EUA, o Brasil e o Paquistão. Leia Também: Investimento em IA? Economista lembra decisão “estúpida” de Zuckerberg
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