A Linhas Aéreas de Moçambique (LAM) anunciou esta segunda-feira, 15 de Setembro, a renovação, por mais quatro anos, do contrato com o presidente da comissão de gestão da companhia, Dane Kondic, que passa a dedicar-se em regime de exclusividade à transportadora nacional, informou a agência Lusa.

O anúncio foi feito em conferência de imprensa, na cidade de Maputo, pelo presidente do Conselho de Administração da empresa Portos e Caminhos-de-Ferro de Moçambique (CFM) e membro do conselho de administração não executivo da LAM, Agostinho Langa.

Segundo o responsável da CFM, a renovação do contrato implicou que Dane Kondic rescindisse o vínculo que mantinha com a companhia aérea do Botsuana, bem como outros compromissos que possuía na Austrália. “Isso significava também prescindir de alguns ganhos e receitas próprias. Na negociação tivemos de considerar esse aspecto. Levámos alguns dias, mas o contrato está assinado”, afirmou.

Dane Kondic foi nomeado em Maio deste ano para liderar a comissão de gestão da LAM, mas a sua nomeação para o cargo de presidente do conselho de administração da Air Botsuana, anunciada no final de Junho, gerou polémica e levantou dúvidas quanto ao seu compromisso com a transportadora nacional.

O responsável, que possui dupla nacionalidade (sérvia e australiana), tem uma carreira internacional no sector da aviação, tendo ocupado cargos de gestão em várias transportadoras, incluindo a presidência do conselho de administração da portuguesa euroAtlantic Airways.

A renovação do contrato implicou que Dane Kondic rescindisse o vínculo que mantinha com a companhia aérea do Botsuana, bem como outros compromissos que possuía na Austrália

Em Maio, foi igualmente aprovado o novo conselho de administração não executivo da LAM, composto por representantes das três empresas estatais que este ano passaram a ser accionistas da companhia: Hidroeléctrica de Cahora Bassa (HCB), Portos e Caminhos-de-Ferro de Moçambique (CFM) e Empresa Moçambicana de Seguros (Emose).

A transportadora aérea nacional atravessa um processo “profundo” de reestruturação, após vários anos de dificuldades operacionais relacionadas com a frota reduzida, falta de investimento e problemas de manutenção. A crise levou à suspensão de quase todos os voos internacionais, concentrando a operação nas ligações domésticas.

O Presidente da República, Daniel Chapo, chegou a denunciar, em Abril, a existência de “raposas e corruptos” dentro da LAM, apontando conflitos de interesse que terão atrasado os planos de reestruturação e a aquisição de três novas aeronaves nos primeiros 100 dias do seu mandato.

Para mitigar os cancelamentos frequentes, a companhia está a preparar a compra de cinco aviões Boeing 737-700 e lançou recentemente um concurso para o aluguer de outras cinco aeronaves. Em média, a LAM transporta actualmente cerca de 915 passageiros por dia em rotas nacionais e regionais.

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