A Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO), uma agência da Organização das Nações Unidas (ONU), entregou 70 toneladas de sementes e 151,3 mil dólares (cerca de 9,6 milhões de meticais) a 3784 famílias moçambicanas afectadas pelo fenómeno climático ‘La Niña’. A iniciativa teve como objectivo apoiar as comunidades vulneráveis ​​a recuperar dos impactos das inundações e ciclones que afectaram o País. Segundo um comunicado da FAO citado pela Lusa, a intervenção decorreu entre Agosto de 2024 e Abril deste ano, visando reduzir os efeitos negativos do fenómeno climático. A agência da ONU destacou que a ajuda permitiu “aumentar a resiliência das comunidades e reforçar a segurança alimentar.” O ‘La Niña’ caracteriza-se pelo arrefecimento das águas do pacífico equatorial, o que afecta a circulação atmosférica e o clima global. Este fenómeno provoca períodos de seca ou chuvas intensas com impactos significativos nas zonas agrícolas e costeiras. Durante o período da intervenção, a FAO distribuiu 70 toneladas de sementes, 2,8 toneladas de fertilizantes e 1739 regadores a 3898 famílias. Foram também treinados 14 técnicos em medidas de preparação para ciclones e inundações, incluindo quatro sobre gatilhos de activação em situações de emergência climática. A agência divulgou ainda mensagens de consciencialização sobre riscos de desastres através de rádios comunitárias, alcançando directamente as comunidades nas áreas-alvo. Além disso, 3784 famílias receberam transferências monetárias incondicionais de 40 dólares cada (2528 meticais), juntamente com um telemóvel e cartão de pagamento. Moçambique é um dos países mais afectados pelas alterações climáticas, enfrentando ciclicamente cheias e ciclones tropicais entre Outubro e Abril. O País sofre também longos períodos de seca severa, o que aumenta a vulnerabilidade das populações rurais. O relatório Estado do Clima em Moçambique 2024, do Instituto Nacional de Meteorologia, revelou que o número de ciclones que atingem o País tem vindo a aumentar na última década, assim como a intensidade dos ventos. O Governo já aprovou um plano de contingência para a época chuvosa 2025-26, que poderá afectar 1,2 milhão de pessoas, mas dispõe de menos de metade dos 14 mil milhões de meticais (217,1 milhões de dólares) necessários. Em Setembro, as autoridades alertaram para cheias de “grande magnitude” e para a possibilidade de inundações em cerca de 4 milhões de hectares agrícolas. Entre 2000-23, Moçambique registou mais de 75 eventos climáticos extremos, com perdas económicas superiores a 4,4 mil milhões de dólares (275,8 mil milhões de meticais), colocando o País entre os dez mais vulneráveis ​​do mundo, segundo dados oficiais.advertisement

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