
Sem uma aposta na industrialização, será muito difícil conseguir baixar os preços da habitação, num cenário em que os custos de mão de obra são muito elevados e as demoras provocadas pelos licenciamentos continuam a ser um entrave. José Cardoso Botelho, que até há poucos meses liderou a Vanguard Properties, é o convidado do novo episódio do podcast Urbanidades e passa em revista as principais questões em torno do imobiliário, do elevado preço das casas, aos custos da construção, falta de mão de obra ou a importância da industrialização para o futuro do setor. “A industrialização é um elemento essencial para, em parte, ajudar a resolver o problema da mão de obra, consequentemente os preços”, defende. Porque, se “os fatores de produção, muitos deles já não estão a preços muito elevados, as matérias-primas já desceram muito de preço ao longo dos últimos anos, o que está de facto muito mais alto é o custo da mão de obra”. E, neste contexto, os processos de industrialização, em que os edifícios são essencialmente construídos em fábrica, “permitem ajudar a resolver o problema”. Outro problema que o imobiliário enfrenta e que também contribui para os preços elevados tem a ver com os licenciamentos. A recente proposta do Governo, para alterar o Simplex urbanístico, “ vai no caminho certo”, afirma Cardoso Botelho, para quem “o licenciamento é um dos mais graves problemas no setor da promoção imobiliária” e “talvez o grande óbice à produção de mais casas”. “É essencial que os prazos sejam reduzidos, por uma questão da oferta em quantidade, mas também no preço, porque um dos elementos que faz subir mais o preço da habitação é justamente o tempo que demora a licenciar um projeto imobiliário”, acrescenta. José Cardoso Botelho foi durante vários anos CEO da Vanguard Properties, um dos maiores promotores imobiliários do país com investimentos substanciais em projetos residenciais e turísticos de luxo, caso da Herdade da Comporta, na costa alentejana. Saiu em setembro e tem agora um novo projeto na manga, que deverá arrancar em breve e com o qual pretende “também participar na produção de habitação para os segmentos mais baixos”. O Urbanidades interrompe durante o período do natal e regressa no início de Janeiro.
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