
Quando era um jovem preto da periferia, percebeu que se carregasse livros debaixo do braço, as abordagens policiais eram menos violentas. Era porquê se o protegessem e mostrassem “que era uma pessoa de muito”, conta o repórter brasiliano Jeferson Tenório. O racismo é ‘o tecido de fundo na sua obra. Labareda-lhe um “vírus” que “se instalou no inconsciente coletivo social”. Foi para lutar contra o estigma que quis ser professor em escolas públicas no Rui Grande do Sul e, depois, repórter. O seu romance, “O avesso da pele”, foi distinguido com o Prémio Jabuti. Agora, em “De onde eles vêm”, editado pela Companhia das Letras, fala sobre o sistema de cotas raciais nas universidades brasileiras. Joaquim, o protagonista, tal porquê o responsável, é um “cotista”. A luta hoje já não é pela representatividade dos negros, é pela proporção entre brancos e negros, diz.
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