Um grupo de investigadores europeus descobriu uma forma de converter energia mecânica em electricidade utilizando água, mas de um modo completamente diferente da tradicional energia hidroeléctrica. Em vez de grandes barragens, esta técnica baseia-se em água confinada em poros nanométricos de silício, funcionando como um fluido de trabalho activo. Luis Bartolomé e uma equipa de várias instituições europeias demonstraram que, ao injectar e extrair ciclicamente água no interior de blocos de silício poroso, é possível gerar energia eléctrica mensurável. Embora a quantidade produzida seja reduzida — na ordem dos microjoules — e insuficiente para alimentar dispositivos de grande escala, como computadores ou cidades, trata-se de uma descoberta relevante em termos de física fundamental. Esta “nano-hidrelectricidade” insere-se na classe dos nanogeradores triboeléctricos, capazes de alimentar dispositivos ultraminiaturizados, como sensores e componentes electrónicos integrados em chips. Aplicações práticas da nano-hidrelectricidade O sistema, baptizado de nanogerador triboeléctrico de intrusão-extrusão (IE-TENG), funciona através da aplicação de pressão que força a água a entrar (intrusão) e a sair (extrusão) repetidamente dos poros à escala nanométrica. Esta “nano-hidrelectricidade” insere-se na classe dos nanogeradores triboeléctricos, capazes de alimentar dispositivos ultraminiaturizados, como sensores e componentes electrónicos integrados em chips Durante o processo, forma-se uma carga eléctrica na interface entre o sólido e o líquido — o mesmo tipo de electricidade por atrito que sentimos, por exemplo, ao caminhar sobre um tapete e depois tocar numa maçaneta metálica, recebendo um pequeno choque. Uma das grandes vantagens deste gerador é a simplicidade: não requer partes móveis e utiliza apenas materiais comuns e de baixo custo. Além disso, a eficiência de conversão energética alcançada — até 9% — é uma das mais elevadas já registadas para nanogeradores sólido-líquido. “Combinar silício nanoporoso com água permite criar uma fonte de energia eficiente e reprodutível — sem materiais exóticos, apenas com o semi-condutor mais abundante da Terra, o silício, e o líquido mais comum, a água,” explicou Luis Bartolomé. Segundo o professor Simone Meloni, membro da equipa, “esta tecnologia abre caminho para sistemas de sensores autónomos e isentos de manutenção — por exemplo, na detecção de água, monitorização de desporto e saúde em roupas inteligentes, ou na robótica háptica, onde o toque ou o movimento geram directamente um sinal eléctrico. Materiais movidos a água assinalam o início de uma nova geração de tecnologias auto-sustentáveis”, concluiu. Fonte: Inovação Tecnológica
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