A província de Cabo Franzino, no extremo setentrião do País, volta a ser palco de uma crescente vaga de violência protagonizada por insurgentes jihadistas, numa profundeza sátira em que se projecta a retoma das obras do megaprojecto de gás proveniente da TotalEnergies. De combinação com a sucursal noticiosa AFP, nas últimas semanas, militantes afiliados ao Estado Islâmico reivindicaram sete ataques no sul da província, deslocando dezenas de milhares de civis. Num desses incidentes, seis aldeões foram sumariamente executados, agravando o clima de susto e instabilidade numa região já profundamente afectada por anos de conflito. Novo epicentro da violência Os ataques, agora concentrados no província de Chiúre (a respeito de 100 quilómetros a sul das habituais zonas de diligência insurgente), levaram ao deslocamento de muro de 59 milénio pessoas, segundo Sebastian Traficante, patrão da missão sítio da organização Médicos Sem Fronteiras. “Não havia um deslocamento em tamanho há muitos meses, por isso foi um pouco surpreendente”, declarou o responsável, descrevendo cenas de famílias separadas, crianças perdidas e pessoas a pernoitarem ao relento sem aproximação a comida ou instalações sanitárias adequadas. Fontes da extensão de segurança citadas pela AFP indicam que os insurgentes abandonaram as suas posições em Macomia, dividindo-se em múltiplos grupos e aproveitando a fraca presença militar em Chiúre para saquear aldeias e espalhar o terror. “Os terroristas fugiram das suas bases, dividiram-se e posicionaram-se estrategicamente em várias áreas”, revelou uma nascente em Cabo Franzino. Forças militares limitadas ao setentrião Enquanto isso, as forças armadas nacionais e o tropa do Ruanda (presente desde Julho de 2021) mantêm o seu foco nos distritos do setentrião, onde a insurgência é historicamente mais intensa e onde se localiza o projecto de gás proveniente liquefeito (GNL) da TotalEnergies, próximo da vila portuária de Palma. Esta concentração de meios no setentrião abriu espaço à acto dos insurgentes em áreas menos vigiadas. Peter Bofin, exegeta da organização ACLED (Armed Conflict Location and Event Data), confirmou que os militantes permaneceram em Chiúre por quase duas semanas, de 24 de Julho a 3 de Agosto, sem confronto com forças estatais. “Não tiveram confrontos com forças estatais, polícia ou tropa” nesse período, afirmou. Nas últimas semanas, militantes afiliados ao Estado Islâmico reivindicaram sete ataques no sul da província, deslocando dezenas de milhares de civis O tropa ruandês, apesar de estar fundamentado em Ancuabe (a exclusivamente 50 quilómetros a setentrião), também não interveio. O exegeta considera que os ataques no sul não significam desistência das posições no setentrião. “É bastante táctico, assumimos que tentam esticar as forças moçambicanas e, possivelmente, as ruandesas. Ao dispersá-las, dificultam a protecção do setentrião”, disse. Peter Bofin reforça ainda que o deslocamento em tamanho das populações civis é uma táctica deliberada. “O Estado Islâmico afirmou há alguns anos que matar um cristão numa localidade faria com que as populações das aldeias vizinhas fugissem, pressionando as vilas”, apontou, destacando que a acto dos insurgentes em Chiúre tem, por isso, efeitos psicológicos devastadores, num contexto em que secção significativa da população do setentrião já abandonou as suas terras sem ter regressado. TotalEnergies e a sensibilidade do momento A intensificação da violência surge numa profundeza particularmente delicada para o País, quando o Governo e a multinacional francesa TotalEnergies anunciam preparativos para retomar as obras do seu projecto de 1,28 biliões de meticais (20 milénio milhões de dólares) em Palma. Levante havia sido suspenso em Março de 2021 posteriormente um ataque que provocou mais de 800 vítimas, incluindo vários trabalhadores contratados pela empresa, de combinação com a ACLED. Desde o início da insurgência em 2017, mais de 6100 pessoas perderam a vida. As vastas reservas de gás proveniente descobertas ao largo da costa do País em 2010 têm potencial para colocar Moçambique entre os dez maiores produtores mundiais de gás, conforme estudo recente da consultora Deloitte.
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