a d v e r t i s e m e n tO principal projecto de hidrogénio verde da Namíbia sofreu um recuo significativo com a decisão da gigante energética alemã Rheinisch-Westfälische Elektrizitätswerk AG (RWE) de rescindir um acordo de compra não vinculativo com a namibiana Hyphen Hydrogen Energy.

De acordo com o Further Africa, a medida, anunciada esta semana, levanta questões sobre o ritmo da procura global de hidrogénio e os seus potenciais impactos nos projectos de energia limpa mais ambiciosos do continente africano.

Em 2022, a RWE assinou um memorando de entendimento com a empresa namibiana especializada em hidrogénio verde, a Hyphen Hydrogen Energy, para garantir até 300 mil toneladas de amoníaco verde por ano a partir de 2027, posicionando-se como um dos principais compradores do projecto. No entanto, a companhia alemã anunciou recentemente que não irá avançar, alegando um desenvolvimento mais lento do que o esperado dos mercados globais de hidrogénio e uma reavaliação do seu portefólio.

Embora a Hyphen tenha salientado que o acordo nunca foi um contrato vinculativo, a retirada da RWE abalou a confiança dos investidores no que se previa ser uma mudança revolucionária de 10 mil milhões de dólares no panorama energético da Namíbia.

A visão da Namíbia em jogo

Para a nação africana, este é mais do que um projecto energético. É uma estratégia de desenvolvimento nacional concebida para transformar o país num dos principais exportadores mundiais de hidrogénio verde. Apoiado por recursos solares e eólicos abundantes, a iniciativa visa abastecer tanto as indústrias nacionais como os mercados globais que anseiam por combustíveis de baixo carbono.

O Governo defendeu o projecto como um catalisador para a criação de empregos, melhorias na infra-estrutura e receitas de exportação, ao mesmo tempo em que posicionou a Namíbia como um participante fundamental na transição energética global. A saída da RWE desafia essa narrativa, levantando preocupações sobre se outros compradores irão preencher a lacuna.

Uma realidade de mercado mais ampla

O revés não é exclusivo da Namíbia. Globalmente, a economia do hidrogénio tem enfrentado dificuldades com uma procura mais lenta, custos elevados e estrangulamentos de infra-estruturas. Embora Governos e empresas tenham prometido milhares de milhões para o hidrogénio, o caminho para a viabilidade comercial permanece incerto.

Para países africanos como a Namíbia, que procuram aproveitar o hidrogénio verde para diversificar a sua economia, o desafio reside em alinhar projectos ambiciosos do lado da oferta com uma procura credível a longo prazo na Europa e na Ásia.

Resiliência e próximos passos

Apesar do retrocesso, a Hyphen e o Governo da Namíbia continuam confiantes. As autoridades reiteraram o seu compromisso em avançar com o projecto e estão em negociações com parceiros alternativos. O país também tem mantido contacto com a União Europeia, o Japão e os Estados do Golfo, buscando diversificar os seus mercados de exportação e evitar a dependência excessiva de um único comprador.

O episódio destaca a necessidade de mecanismos de partilha de riscos, financiamento concessionário e estruturas globais mais fortes para reduzir os riscos dos projectos de hidrogénio verde em África. Destaca também a importância de criar reservas regionais de procura, fornecendo, por exemplo, hidrogénio verde às indústrias sul-africanas para complementar as ambições de exportação.

A retirada da RWE não põe fim ao sonho do hidrogénio da Namíbia, mas é um lembrete preocupante dos obstáculos entre a visão e a execução. O projecto Hyphen continua a ser o empreendimento de hidrogénio em grande escala mais avançado de África, mas o seu sucesso dependerá da obtenção de compradores comprometidos e da navegação em mercados globais voláteis.

Se a Namíbia conseguir adaptar-se, atrair novos parceiros e ancorar a procura tanto a nível regional como internacional, ainda tem potencial para liderar a entrada de África na economia do hidrogénio verde.

Fonte: Further Africa

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