Os níveis dos reservatórios de gás natural na província de Inhambane, sul de Moçambique, estão a registar um declínio após duas décadas de exploração contínua, alertou o ministro dos Recursos Minerais, Cristóvão Pale. Segundo o governante, a produção nos poços e furos tende a decrescer, sendo necessário identificar novas fontes gasíferas para garantir o abastecimento futuro.

“Os níveis actuais de produção dos poços e furos tendem a decrescer. Temos de encontrar alternativas para encontrar mais gás, para garantir que se pode continuar com o fornecimento”, afirmou Pale, acrescentando que o Governo está a promover pesquisas adicionais nas zonas de Pande e Temane, com o envolvimento de outros potenciais investidores, segundo informou a Lusa.

A Companhia Moçambicana de Hidrocarbonetos (CMH), no seu relatório de contas referente ao exercício 2024-25, encerrado em Junho, faz alusão a um “declínio acentuado” nos seus reservatórios de gás. Nesse período, a petrolífera estatal registou lucros de 2,9 mil milhões de meticais (46,7 milhões de dólares).

O conselho de administração, presidido por Arsénio Mabote, considera que um dos grandes desafios será responder à queda da produção nos campos de Pande e Temane nos próximos anos, de modo a manter os níveis actuais de desempenho. “Também precisamos de continuar a identificar novas oportunidades que agreguem valor ao nosso negócio, contando para tal com a colaboração dos nossos accionistas”, lê-se no relatório.

Reservas da bacia do Rovuma surgem como alternativa estratégica face à redução da capacidade produtiva em Inhambane

No ano fiscal precedente (2023-24), os lucros da CMH tinham recuado 15,5%, totalizando 3,5 mil milhões de meticais (54,7 milhões de dólares). No exercício de 2024-25, as vendas de gás natural da empresa também registaram uma redução de 9% face ao período anterior.

Para justificar esse recuo no desempenho, a administração aponta a flutuação dos preços internacionais do petróleo e problemas operacionais em unidades-chave da central de processamento de Temane — factores que limitaram a capacidade de produção do gás e dos seus derivados, apesar da realização de manutenções de rotina.

Com o intuito de assegurar o cumprimento das suas obrigações contratuais, a CMH prossegue com projectos de manutenção e optimização da capacidade produtiva, visando a maximização da recuperação de gás em alguns reservatórios e novos furos.

A CMH é controlada pela Empresa Nacional de Hidrocarbonetos (ENH), que detém 70% do capital social. Em parceria com a Sasol Petroleum Temane (SPT), conduz as operações nos campos de Pande e Temane, ao abrigo do Acordo de Produção de Petróleo assinado em Outubro de 2000.

Paralelamente, Moçambique conta com grandes projectos no norte do País para explorar as reservas da bacia do Rovuma. Entre estes destacam-se a Área 1, operada pela TotalEnergies (com capacidade até 43 milhões de toneladas por ano), e a Área 4, sob responsabilidade da ExxonMobil (18 milhões de toneladas), embora ambos os empreendimentos não contribuam ainda para o mercado interno.

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