advertisement O Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD) revelou que está com dificuldade em mobilizar os 78,3 milhões de meticais (1,2 milhão de dólares) necessários para mitigar os impactos negativos que vão ser causados pela presente época chuvosa 2025-26 na província de Cabo Delgado, região Norte de Moçambique. Durante a realização do Comité Operativo de Emergência, que juntou membros do Governo provincial e parceiros, o delegado do INGD, Marques Tamadune Naba, admitiu que a instituição não tem disponível o valor necessário, estando neste momento a mobilizar apoios de diversos intervenientes, salientando que se prevê prestar assistência a mais de 200 mil pessoas das zonas rurais e urbanas ameaçadas pelas cheias. “Cerca de 200 mil pessoas estão em risco, estima-se a ocorrência de ventos fortes, chuvas e também inundações nas vilas e algumas zonas mapeadas e consideradas de risco. Estamos a trabalhar para mobilizar a verba necessária”, detalhou o responsável citado pela Lusa. Recentemente, o Banco de Moçambique (BdM) apontou que as cheias previstas para o primeiro trimestre de 2026 vão causar impactos negativos na economia, nomeadamente no fornecimento de alimentos, um dos factores que poderão condicionar as perspectivas de crescimento. “Para 2026, foram identificados três principais pressupostos internos, como a manutenção da elevada pressão sobre o Orçamento do Estado, a reposição gradual da capacidade produtiva e de oferta de bens e serviços e a previsão de cheias no País”, avançou a instituição financeira no Relatório de Conjuntura Económica e Perspectivas de Inflação. Prevê-se que o sector agrícola seja afectado pelas chuvas, com quatro milhões de hectares em risco Em Setembro, as autoridades alertaram para cheias de “grande magnitude” no País e inundações em pelo menos quatro milhões de hectares agrícolas durante a época chuvosa 2025-26. “Entre Janeiro, Fevereiro e Março, achamos que vamos ter chuvas e cheias de grande magnitude, aquilo que classificamos como um regime alto, sobretudo nas bacias de Incomáti, Maputo e Limpopo”, afirmou Agostinho Vilanculos, director nacional de Gestão de Recursos Hídricos. Segundo o responsável, as barragens de países vizinhos de Moçambique, entre os quais África do Sul e Essuatíni, estão a 99% do nível de armazenamento e, por isso, com pouca capacidade de encaixe, situação que obrigará ao escoamento e consequentes inundações no País. “Se as barragens estão cheias, então, não têm capacidade de encaixar, logo, qualquer chuva que caia nos países vizinhos transforma-se em escoamento e vem para o nosso país”, alertou Vilanculos, apontando os municípios da Matola, Maputo, Beira e Quelimane como de “elevado risco de ocorrência de inundações.” Moçambique é considerado um dos países mais severamente afectados pelas alterações climáticas, enfrentando ciclicamente cheias e ciclones tropicais durante a época chuvosa, que decorre anualmente entre Outubro e Abril. Só entre Dezembro e Março últimos, na última época ciclónica, Moçambique foi atingido por três ciclones, incluindo o Chido, o primeiro e mais grave, no final de 2024. O número de ciclones que atingem o País “tem vindo a aumentar na última década”, bem como a intensidade dos ventos, alerta-se no relatório do Estado do Clima em Moçambique 2024, do Instituto de Meteorologia de Moçambique, divulgado em Março. Os eventos extremos provocaram pelo menos 1016 mortos em Moçambique entre 2019 e 2023, afectando cerca de 4,9 milhões de pessoas, segundo dados do Instituto Nacional de Estatística.advertisement
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