A semana económica ficou marcada por desenvolvimentos contrastantes, combinando aceleração da inflação, avanço de novos investimentos na prospecção de hidrocarbonetos e a entrada da maior unidade industrial do País em regime de suspensão operacional. O período evidencia uma economia sujeita a pressões logísticas e energéticas, mas simultaneamente com sinais de dinamização no sector extractivo.
No plano dos preços, o Instituto Nacional de Estatística indicou que o Índice de Preços no Consumidor (IPC) subiu 1,26% em Janeiro, mais do dobro da variação registada em Dezembro. A principal pressão resultou da divisão de alimentação e bebidas não alcoólicas, com aumentos expressivos no coco, alface, couve, tomate, cebola, carvão vegetal e peixe seco, produtos que contribuíram com cerca de 0,83 ponto percentual para a variação mensal.
A aceleração inflacionária ocorreu num contexto de constrangimentos logísticos associados às cheias que afectaram o País e interromperam temporariamente a circulação na Estrada Nacional Número 1 (N1), comprometendo cadeias de abastecimento e pressionando os preços em várias regiões. Apesar da subida mensal, a inflação acumulada fixou-se em 3,23%, mantendo-se abaixo dos níveis registados em anos anteriores e distante dos picos observados em 2022.
No sector energético, a petrolífera estatal chinesa CNOOC confirmou que iniciará em Março a perfuração de blocos para prospecção de hidrocarbonetos nas bacias offshore do Save e de Angoche, no âmbito das concessões atribuídas no sexto concurso público lançado em 2021. Os trabalhos iniciais deverão abranger entre cinco a seis blocos, situados maioritariamente em águas profundas.
As concessões contam com participação da Empresa Nacional de Hidrocarbonetos e integram áreas que não se confundem com as Áreas 1 e 4 da bacia do Rovuma, onde decorrem os megaprojectos de gás natural liderados por outras multinacionais. O início da perfuração representa a transição efectiva da fase contratual para a fase operacional, podendo reforçar as perspectivas de diversificação da base extractiva nacional.
Actualmente, Moçambique conta com projectos relevantes em curso na bacia do Rovuma, incluindo o Coral Sul, já em produção, a retoma do Mozambique LNG e o projecto Rovuma LNG, cuja decisão final de investimento é aguardada. A entrada da CNOOC na fase de perfuração poderá ampliar o leque de actores activos no sector e consolidar o posicionamento do País como produtor emergente de gás natural.
Em reforço do anunciado despedimento colectivo, a australiana South32 confirmou a suspensão das actividades da fundição de alumínio Mozal a partir de 15 de Março de 2026, colocando a unidade em regime de “care and maintenance”, devido à impossibilidade de assegurar fornecimento de energia eléctrica suficiente e a preços competitivos.
Segundo o director-executivo do grupo, Graham Kerr, a empresa registou perdas de 372 milhões de dólares no último exercício, agravadas pela seca que afectou a produção hidroeléctrica e pela ausência de acordo com fornecedores alternativos, incluindo a sul-africana Eskom. A transição implicará custos estimados em 60 milhões de dólares, além de encargos anuais de manutenção avaliados em cerca de cinco milhões.
A unidade emprega mais de duas mil pessoas directamente e igual número de trabalhadores terceirizados, representando uma parcela significativa do emprego manufactureiro nacional. Entre as medidas anunciadas constam indemnizações proporcionais ao tempo de serviço, subsídios de requalificação profissional e manutenção temporária do seguro de saúde.
O Governo afirma acompanhar o processo, reiterando esforços para mitigar impactos estruturais sobre o emprego, fornecedores e cadeias industriais associadas.a d v e r t i s e m e n t
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