O Instituto Nacional das Comunicações de Moçambique (INCM) alertou para a continuidade de falhas significativas na rede móvel nacional, conforme consta no “Relatório de Qualidade de Serviço – Campanha Nacional 2024”, que resulta de uma avaliação técnica conduzida entre Junho e Novembro deste ano. A campanha, baseada na metodologia Drive Test, foi realizada em 20 zonas geográficas distribuídas pelas regiões Sul, Centro e Norte do País, e visou aferir a cobertura e a qualidade dos serviços de voz e dados prestados pelas operadoras Tmcel, Vodacom e Movitel, nas tecnologias 2G, 3G e 4G. Entre os indicadores avaliados, destaca-se a disponibilidade média da rede, que ficou aquém da meta regulamentar de 99%: a Vodacom atingiu 96,78%, a Tmcel 91,95% e a Movitel 91,40%. No que toca à qualidade do serviço de voz, o desempenho das operadoras foi desigual. Embora todas tenham registado percentagens próximas da meta de chamadas estabelecidas com sucesso (≥ 98 %), algumas não cumpriram com os parâmetros relativos ao tempo de estabelecimento da chamada (meta: < 8 segundos) e à qualidade média de áudio (meta: > 3,5). A taxa de chamadas caídas revelou diferenças significativas: a Vodacom registou 0,33% nas redes 3G, enquanto a Tmcel alcançou 2,20% e a Movitel 0,28%. Relativamente aos serviços de dados móveis, a Vodacom liderou em velocidade média de download na rede 4G com 20,71 Mbps, seguida pela Tmcel com 14,44 Mbps e pela Movitel com 13,02 Mbps. Na tecnologia 3G, a Vodacom obteve igualmente o melhor desempenho (4,95 Mbps), ligeiramente acima da Tmcel (4,91 Mbps), ficando a Movitel com 2,70 Mbps. A análise da cobertura de rede demonstrou uma melhor performance nas zonas urbanas e de maior densidade populacional. Contudo, nem todos os operadores cumpriram a meta regulamentar de cobertura (95% das amostras com sinal mínimo recomendado). Na rede 4G, a Vodacom e a Movitel cumpriram 85% das áreas testadas, enquanto a Tmcel apenas 40%. Segundo o relatório, os testes foram conduzidos com equipamentos comerciais instalados em viaturas e simularam a experiência de um utilizador comum, garantindo igualdade de condições para todas as operadoras. “Através desta acção, o INCM pretende promover a transparência sobre o desempenho do sector, informar os consumidores e incentivar uma maior concorrência no mercado das telecomunicações móveis em Moçambique”, refere o estudo. Texto: Felisberto Rucoa dvertisement
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