O presidente do Instituto de Gestão de Activos e Participações do Estado (IGAPE) – organismo que gere os activos do Estado angolano -, Álvaro Fernão, defendeu nesta terça-feira (16) a necessidade de assegurar a rentabilidade das empresas públicas, reforçando a governança e os controlos internos, para que possam distribuir dividendos ao accionista público, informou a Lusa. “O desempenho do sector empresarial público enquanto agregado foi positivo, mas permanecem desafios que precisamos de resolver. É necessário melhorar a governança, reforçar os controlos internos e assegurar a rentabilidade das empresas, para que possam também distribuir dividendos ao accionista-Estado”, afirmou o presidente do IGAPE. As empresas públicas registaram, em 2024, um volume de negócios de 12,8 biliões de kwanzas (cerca de 11,8 mil milhões de euros), mais 15,9% que no ano anterior, mas o resultado líquido caiu 13%, para 788,4 mil milhões de kwanzas (cerca de 726 milhões de euros), segundo dados divulgados no Encontro Anual do Sector Empresarial Público (SEP), em Luanda.advertisement O activo agregado do universo empresarial público foi de 39,6 biliões de kwanzas (36,5 mil milhões de euros), mais 9% face a 2023, enquanto os capitais próprios subiram 12% para 14,6 biliões de kwanzas (13,5 mil milhões de euros). Em 2024 foram também extintas sete empresas públicas. “As empresas que não forem viáveis ​​e não tiverem uma actividade que seja nuclear para o Estado vão ser extintas naturalmente. Depois seguem o processo de liquidação: vender os activos para pagar os passivos e encerrar definitivamente”, explicou o gestor. Segundo Álvaro Fernão, este processo faz parte de um roteiro de reforma do sector, que inclui três caminhos possíveis: racionalizar custos, reestruturar modelos de negócio ou, em último caso, privatizar e liquidar. Durante o encontro, foram também distinguidas as empresas com melhor desempenho, uma iniciativa que o presidente do IGAPE considerou importante para fomentar a competitividade no sector. “A premiação serve não apenas para reconhecer quem fez bem, mas também para incentivar uma concorrência saudável. Houve presidentes de conselhos de administração que me disseram que querem ver as suas empresas premiadas no próximo ano, e é esse espírito que queremos estimular”, referiu. O universo do SEP totalizou 87 empresas em 2024, das quais 69 prestaram contas dentro do prazo legal e quatro não entregaram relatórios. “Mais do que punir, queremos melhorar. Mas quando não há operação ou não há condições para prestar contas, teremos de tomar decisões. Pode significar acelerar a extinção dessas empresas”, indicou o Álvaro Fernão, questionado sobre a penalização para essas empresas.

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