
Questionada sobre o estado de arte da inteligência artificial (IA) em Portugal, Inês Almeida sublinha que “como em qualquer outra parte do mundo existe um pouco de incerteza”. “Há muito FOMO, ou seja, ‘Fear Of Missing Out’ (medo de ficar de fora), todos estão a pensar nisso (IA) em termos de arriscar e começar a experimentar”, diz a ‘AI & Transformation Executive Director’ da Beta-I. “Comecei a ver bons indícios disso”, pelo que “acho que estamos a fazer tudo certo e também acho que estamos a concentrar-nos nas coisas certas, como literacia e engajamento das nossas comunidades” relativamente à IA, acrescenta. Aliás, “temos muito mais para fazer” em termos de literacia, admite, quando questionada sobre o tema. E essa vai ser “a diferença entre mudar a agulha ou não em termos de envolver toda a nossa comunidade e usá-la para gerar valor, para ser mais produtiva e continuar a competir no panorama global”, sublinha Inês Almeida. Sobre que estratégias considera que as empresas em Portugal devem adotar para mudar da narrativa de que a IA vai substituir os trabalhadores, mas antes ser uma parceria no trabalho, a responsável admite que “existe muito medo”. A melhor forma de ultrapassar esse medo “é fazer com que as pessoas experimentem e façam parte desta transformação, defende. Em termos de estratégias, “a primeira é procurar soluções para os problemas que as equipas identificam”, aponta. Numa empresa, “todos sabem exatamente onde precisam de ferramentas e onde podem melhorar, por isso, iniciar” por este ponto “é essencial”, reforça Inês Almeida. Depois é o momento da “cocriação com as equipas”, pois analisar como construir agentes de IA e quais as capacidades da inteligência artificial “é fundamental”, sublinha. Perante a atual incerteza e medo de despedimentos, as pessoas ganham confiança ao começarem a utilizar as ferramentas, pois estão a experimentar e a apresentar resultados”, argumenta. Além disso, “o medo desaparece porque compreendem o que a ferramenta pode e não pode fazer” e isso “é essencial e precisa de ser feito “com ‘guardrails'”, regras e medidas de segurança. A confiança das pessoas que utilizam estas ferramentas “advém da certeza de que, em todas as áreas da empresa, a segurança, as políticas, a qualidade, a precisão e a conformidade são tidas em conta”, aponta Inês Almeida, acrescentando que “a melhor forma de envolver as pessoas é começar a experimentar” a IA. “Como líderes, acredito que devemos dar um passo atrás e concentrar-nos em dois tipos diferentes de métricas, uma delas é impactar positivamente os resultados financeiros, como a produtividade ou as receitas, e identificar as áreas onde podemos gerar esses resultados”, elenca. A segunda “é medir a aprendizagem”, diz, sabendo quanto se está aprender em IA, como estão a ser partilhadas as lições uns com os outros para que haja “uma evolução contínua da aprendizagem”. Isto significa que “vamos envolver as equipas e proporcionar-lhes a formação básica necessária para que compreendam as capacidades destas ferramentas”. Depois, “vamos gerar ideias rapidamente, agora que já percebemos o que estas ferramentas fazem, e pensar como podemos melhorar este processo”, diz. “Se encontrarmos as três principais ideias em que acreditamos que, através da IA em colaboração com humanos, podemos criar novos processos nativos de IA que realmente façam a diferença rapidamente”, isso muda a “agulha rapidamente”. Porque “quando começamos com as equipas e elas veem que funciona, tornam-se mais confiantes, experientes e partilham o que corre e não corre bem” com toda a empresa, enfatiza. Leia Também: Primeiro espetáculo de teatro com IA põe Albano Jerónimo a dialogar com computador
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