A Hidroeléctrica de Cahora Bassa, uma das maiores barragens de África, anunciou uma paragem da central produtora no domingo (26) para manutenção, com abertura de um descarregador para manter o caudal, numa altura de seca no Centro do País. “A paragem total da estação electroprodutora obrigará à abertura de um descarregador, como resultado da implementação de um conjunto de normas e princípios de gestão e operação de grandes barragens”, refere a HCB, barragem construída na província de Tete, Centro de Moçambique, em comunicado enviado à Lusa. A operação, acrescenta, “será realizada em cumprimento das directrizes ambientais que recomendam a manutenção de um caudal ecológico para a preservação dos ecossistemas fluviais, a biodiversidade e continuidade das actividades socioeconómicas das populações que se localizam no vale do rio Zambeze” a jusante da barragem de Cahora Bassa, nas províncias de Tete, Manica, Sofala e Zambézia, centro do País. A HCB, que garante mais de 80% da electricidade consumida em Moçambique e fornece aos países vizinhos, explica que vai proceder “à abertura de um descarregador de meio fundo a 80%” no período das 05h00 às 17h00 de domingo, “como medida hidrológica visando a minimizar os impactos ambientais e socioeconómicos a jusante, decorrentes da paragem total da estação electroprodutora.” “Implicará a indisponibilidade do caudal turbinado, o único que tem mantido, no dia-a-dia, o fluxo normal de água no vale do rio a jusante da barragem, no contexto actual de seca que se faz sentir sobre a bacia hidrográfica internacional do rio Zambeze”, explica a empresa, sublinhando tratar-se de uma “paragem programada”, que será “implementada em coordenação com os principais clientes” da HCB, nomeadamente a Electricidade de Moçambique (EDM), Eskom (África do Sul) e ZESA (Zimbabué) e outros operadores da rede SAPP (África Austral). Isto para “realizar intervenções de manutenção nos equipamentos principais de geração, transformação e transporte de energia”, visando “o reforço e estabilização da capacidade de fornecimento de energia aos clientes.” “Esta intervenção, por motivos de segurança dos operadores e dos equipamentos, deverá ser feita com o sistema totalmente desligado, isolado e aterrado, pelo que é importante salientar que a hora de fecho do descarregador dependerá da efectiva entrada em funcionamento das linhas de transporte de energia”, sublinha. A HCB tem admitido desafios na produção e comercialização da electricidade face aos baixos níveis de precipitação, culminando com reduzidos níveis de armazenamento das águas. A HCB é detida em 85% pela estatal Companhia Eléctrica do Zambeze e pela portuguesa Redes Energéticas Nacionais (REN) em 7,5%, possuindo a empresa 3,5% de acções próprias, enquanto os restantes 4% estão nas mãos de cidadãos, empresas e instituições moçambicanas A albufeira de Cahora Bassa é a quarta maior de África, com uma extensão máxima de 270 quilómetros em comprimento e 30 quilómetros entre margens, ocupando 2700 quilómetros quadrados e uma profundidade média de 26 metros, contando com quase 800 trabalhadores, sendo uma das maiores produtoras de electricidade na região Austral africana a abastecer os países vizinhos. A barragem está instalada numa estreita garganta do rio Zambeze e a sua construção decorreu de 1969 a 1 de Junho de 1974, durante o período colonial português, seguindo-se o enchimento da albufeira. A operação comercial teve início em 1977, com a transmissão dos primeiros 960 megawatts (MW), produzidos por três geradores, face à actual capacidade instalada de 2075 MW. A HCB é detida em 85% pela estatal Companhia Eléctrica do Zambeze e pela portuguesa Redes Energéticas Nacionais (REN) em 7,5%, possuindo a empresa 3,5% de acções próprias, enquanto os restantes 4% estão nas mãos de cidadãos, empresas e instituições moçambicanas.

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