advertisemen tOs Governos africanos vão recorrer a formas não convencionais para cobrir os custos financeiros que devem atingir quase 83 mil milhões de dólares no próximo ano, o nível mais alto desde 2021, de acordo com a empresa de pesquisa multinacional britânica especializada em análises macroeconómicas Business Monitor International (BMI). Os países da África Subsaariana normalmente cobrem os seus déficits através de uma combinação de financiamento concessionário, obrigações domésticas, emissões comerciais de euro-obrigações e, em menor grau, “métodos não ortodoxos”, incluindo financiamento do banco central, escreveu a BMI, uma unidade da Fitch Solutions, num relatório. “Embora essas opções ainda dominem, esperamos que instrumentos financeiros inovadores se tornem mais comuns em 2026”, afirmou a empresa, acrescentando que aqueles “incluem títulos sukuk em conformidade com a Sharia (conjunto de leis e princípios islâmicos) para explorar os mercados domésticos, títulos vinculados à sustentabilidade e ESG para projectos específicos, e títulos ligados à infra-estrutura e títulos da diáspora.” Para se proteger contra o risco cambial, é provável que mais países africanos emitam dívida em moeda estrangeira em moedas diferentes do dólar e do euro. As alternativas podem ser o yuan chinês e o iene japonês ou a troca da moeda da dívida existente, como fez o Quénia este ano, diz o BMI. “A tendência para métodos não convencionais será impulsionada pelo âmbito limitado para o aumento do financiamento do Fundo Monetário Internacional (FMI) e pela saturação dos mercados de capitais domésticos com títulos do Governo. A saturação corre o risco de excluir o financiamento do sector privado e aumenta a exposição sistémica aos riscos soberanos”, lê-se no relatório. As euro-obrigações emitidas na região também têm cupons elevados em comparação com outros mercados, o que gerou um debate sobre África estar a pagar um chamado “prémio de prejuízo” sobre os títulos. Um cupon mais alto “efectivamente garante pagamentos de juros mais elevados a longo prazo, num momento em que os custos do serviço da dívida já estão a aumentar como percentagem da receita”, destacou. A África do Sul angariou este mês 693 milhões de dólares na sua primeira venda de obrigações de infra-estruturas, que atraiu propostas de investidores por mais do dobro do montante pretendido. A maior economia do continente planeia leilões adicionais no futuro para apoiar os seus planos de crescimento de infra-estruturas. Em Outubro, o Quénia converteu os empréstimos ferroviários chineses de dólares para yuan, numa medida que se espera que resulte numa poupança anual de até 215 milhões de dólares. Fonte: Bloomberg
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