O Governo angolano vai inaugurar, nos próximos dias, a primeira mina subterrânea de cobre do país, localizada na província do Uíje e, em breve também, a primeira refinaria de ouro, anunciou o ministro dos Recursos Minerais, Petróleo e Gás, Diamantino Azevedo. De acordo com a Lusa, o governante falava na abertura da Conferência Internacional de Minas de Angola 2025 (AIMC, em inglês), que teve início nesta quarta-feira (22) em Luanda e decorre até quinta (23) sob o tema “Reforçar as Oportunidades de Investimento Mineiro a Nível Global em Angola”. “Relativamente ao cobre, tenho a honra de anunciar a inauguração da mina do Tetelo (na província do Uíge), que ocorrerá dentro de poucos dias. Este acontecimento, que nos enche de orgulho, irá marcar a entrada em produção da primeira mina subterrânea deste metal muito importante, principalmente nesta fase de transição energética”, afirmou.advertisement Azevedo realçou que o Executivo angolano está apostado no alargamento da cadeia de valor de pedras preciosas e metais nobres, visando a produção de jóias, o que marcará “o início da indústria de joalharia em Angola”. O governante garantiu que a refinaria de ouro, a cargo da estatal Endiama, será inaugurada “em breve, o que irá adicionar valor” aos produtos angolanos, nomeadamente “diamante, ouro e pedras semipreciosas.” Por outro lado, afirmou que as inúmeras ocorrências de quartzo de origem pegmática (encontrado em pegmatitos, que são rochas ígneas de grão muito grosso) de alta qualidade química com teores de sílica acima dos 95% “levaram à sua exploração desregrada, em alguns casos, ilegal, descartando qualquer rigor técnico e ambiental.” “(Angola) já não exporta quartzo em bruto, acrescentando valor à sua matéria-prima, produzindo silício metálico aqui no nosso país. Dentro dos próximos cinco anos queremos produzir policíclico, o que irá permitir o surgimento de uma indústria para equipamentos fotovoltaicos”, apontou. Na sua intervenção, o ministro destacou as potencialidades minerais do país e sinalizou que a aprovação de um novo modelo de governação do sector mineiro, em 2020, “originou uma mudança paradigmática” nesta indústria. O novo modelo visou a separação das funções política, estratégica e de coordenação das funções concessionárias e reguladora e das funções de operadoras mineiras, o que permitiu a criação de um ambiente regulatório “robusto e estável”, reduzindo a presença directa do Estado na actividade mineira e promovendo o papel dos agentes privados, assinalou. “Este modelo, entre outros aspectos, apontou a redução da presença directa do Estado como agente económico”, frisou, destacando a criação da Agência Nacional de Recursos Minerais, órgão público de regulação, fiscalização e promoção do sector mineiro de Angola. Diamantino Azevedo, ministro dos Recursos Minerais, Petróleo e Gás de Angola No subsector dos diamantes, não obstante os preços “estarem em baixa no mercado internacional”, observou, a produção de diamantes brutos atingiu pela primeira vez, em 2024, a marca dos 14 milhões de quilates ao ano, “com tendência positiva do aumento da produção.” Diamantino Azevedo realçou que, “fruto de um trabalho aturado” de prospecção aerogeofísica, a multinacional De Beers encontrou e seleccionou no nordeste de Angola, mais precisamente na província da Lunda Norte, cerca de 20 alvos kimberlíticos “extremamente promissores.” “A multinacional Rio Tinto também está a trabalhar no desenvolvimento do kimberlito Chiri, um depósito muito promissor em termos de qualidade e quantidade de diamantes, que esperamos que seja inaugurado nos próximos dois anos”, frisou o goverante, reiterando ser uma prioridade para o Governo processar parte dos minerais produzidos em Angola internamente. Angola conta, actualmente, com um total de nove fábricas de lapidação, estando a maior parte instaladas no Pólo de Desenvolvimento Diamantífero de Saurimo, e é objectivo continuar a criar condições para que uma percentagem mais expressiva de diamantes brutos seja lapidada no país, adiantou. Azevedo assinalou ainda a importância dos agrominerais para assegurar a alimentação da população, realçando que o domínio que tutela tem estado a desenvolver um trabalho transversal com outros sectores para garantir o seu fornecimento, estando uma fábrica de composto granulado de fosfatos a ser construída na província de Cabinda.

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