a d v e r t i s e m e n tA África do Sul reduziu a sua meta de inflação para 3%, esta quarta-feira (12), marcando a primeira alteração em 25 anos. O ministro das Finanças, Enoch Godongwana, afirmou que a medida visa, a longo prazo, diminuir as expectativas de inflação e criar espaço para taxas de juro mais baixas.
Segundo informou a Reuters, o anúncio foi feito durante a revisão orçamental intermédia, onde o ministro das Finanças confirmou a passagem do intervalo anterior de 3% a 6% para uma meta única de 3%, após o governador do banco central, Lesetja Kganyago, ter indicado, em Julho, que a instituição iria concentrar-se no limite inferior da faixa.
O governante explicou que a nova meta de inflação passará imediatamente a ser de 3%, com uma margem de tolerância de um ponto percentual para cima ou para baixo. Contudo, acrescentou que a implementação será feita ao longo de dois anos, permitindo tempo de ajustamento para o banco central, bem como para empresas e sindicatos.
A nova faixa de tolerância foi concebida para oferecer flexibilidade diante de choques inflacionistas inesperados, informou o Ministério das Finanças em conjunto com o banco central. Ambas as instituições sublinharam que a transição deverá ser cuidadosamente gerida para garantir a consolidação orçamental a longo prazo.
“A transição para a nova meta mais baixa deverá ser cuidadosamente gerida, de modo a garantir que o Governo mantenha os seus objectivos de consolidação orçamental a longo prazo”, declarou Enoch Godongwana.
O governador do banco central, Lesetja Kganyago, tem há muito defendido a redução da meta, considerando que a faixa anterior era pouco competitiva e desalinhada com os padrões internacionais. Já a directora de pesquisa para África e o Médio Oriente do Standard Chartered, Razia Khan, afirmou que o ajustamento reforça o compromisso do Executivo com as reformas e permitirá reduções nas taxas de juro na próxima reunião de política monetária.
A decisão de reduzir a meta de inflação surge, assim, como um passo estratégico, ainda que desafiante, para estabilizar a economia
A revisão orçamental revelou ainda que o Tesouro prevê um défice orçamental consolidado ligeiramente menor, fixando-o em 4,7% do Produto Interno Bruto (PIB), contra os 4,8% estimados em Maio. Contudo, a medida poderá ter impactos mistos a curto prazo, travando o crescimento económico e a cobrança de receitas, embora reduza os encargos da dívida.
Após o anúncio, o rand, moeda sul-africana, valorizou face ao dólar e as obrigações internacionais de longo prazo também registaram ganhos. Segundo dados da Tradeweb, plataforma global de negociação de títulos e derivados, os títulos com vencimento em 2046 subiram quase um cêntimo, demonstrando a confiança do mercado na nova orientação económica.
O Tesouro projecta que a relação dívida/PIB estabilize em 77,9%, acima dos 77,4% estimados em Maio, e que o crescimento económico seja revisto em baixa para 1,2% em 2025 e 1,5% em 2026, face às previsões anteriores de 1,4% e 1,6%, respectivamente. A decisão de reduzir a meta de inflação surge, assim, como um passo estratégico, ainda que desafiante, para estabilizar a economia e reforçar a credibilidade macroeconómica da África do Sul.
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