Angola está a dar um passo importante no sentido de diversificar o seu portefólio mineral, com os preparativos em curso para lançar a exploração de nióbio – um metal fundamental para diversas indústrias, como a aeroespacial, automobilística e de tecnologia – na província da Huíla. A iniciativa, liderada pela Niobonga-Comércio Geral, uma empresa apoiada pela China, marca a entrada do país num dos minerais críticos mais estratégicos do mundo e essencial para as indústrias globais de energia limpa e manufactura avançada. Uma nova fronteira para as ambições mineiras de Angolaa dvertisement Localizado no município de Quilengues, na Huíla, o projecto está posicionado no centro do plano de longo prazo de Angola para expandir para além do petróleo e dos diamantes. De acordo com o Ministério dos Recursos Minerais, Petróleo e Gás, os trabalhos de exploração na concessão de Bonga estão a avançar de forma constante, com a primeira fase centrada na preparação de infra-estruturas, avaliações ambientais e reassentamento da comunidade. O ministro dos Recursos Minerais Petróleo e Gás, Diamantino Azevedo, confirmou que o projecto está no bom caminho para entrar em produção ainda neste ano, assim que as restrições ao fornecimento de electricidade no local forem resolvidas. Este desenvolvimento faz parte de uma agenda mais ampla para posicionar Angola como um fornecedor fiável de minerais críticos — alinhando o país com os esforços globais para garantir cadeias de abastecimento para a economia verde. “A exploração de nióbio representa um novo capítulo na diversificação de recursos no país”, afirmou Azevedo, acrescentando que o Governo está a trabalhar para atrair parcerias internacionais e investimentos para o desenvolvimento sustentável do projecto. O contexto global: porque é o nióbio importante O nióbio é usado para fortalecer o aço, melhorar a eficiência das baterias de veículos eléctricos e aprimorar os materiais supercondutores usados ​​em tecnologia e infra-estrutura energética. Com mais de 90% do fornecimento mundial actualmente produzido no Brasil, a procura global por novas fontes está a acelerar — especialmente porque os países buscam alternativas aos fornecedores tradicionais num contexto de crescentes pressões geopolíticas. Para Angola, a mudança para a exploração de nióbio oferece tanto vantagens estratégicas como oportunidades económicas. Além das receitas em moeda estrangeira, poderia atrair indústrias a jusante, incluindo metalurgia, fabricação de baterias e aplicações de tecnologia verde, impulsionando a industrialização e o emprego qualificado. Desafio de infra-estrutura e investimento Apesar do optimismo, os desafios permanecem. O local de Bonga está situado numa área com conectividade limitada à rede eléctrica, o que obriga as actividades de exploração actuais a depender de geradores a diesel. As autoridades estão a priorizar a expansão do sistema de energia e a reabilitação de estradas para permitir operações em escala comercial. O foco do Executivo nas parcerias público-privadas (PPP) visa superar esses gargalos, aproveitando a confiança dos investidores construída através da melhoria da estabilidade macroeconómica de Angola, das reformas da legislação sobre investimento estrangeiro e dos quadros de governação alinhados com as normas do Banco Africano de Desenvolvimento (BAD) e do Banco Mundial. Além disso, o projecto de nióbio faz parte do Plano Nacional de Prospecção Geológica (PLANAGEO) do Governo, que visa mapear e catalogar os vastos recursos minerais do país, desde terras raras e lítio até cobre e minério de ferro. Diversificação económica e impacto regional A província da Huíla está a emergir como uma das principais fronteiras económicas do país, com o projecto de nióbio a gerar centenas de empregos directos e a estimular a participação das empresas locais. A iniciativa complementa os esforços mais amplos do Governo para reindustrializar o sul de Angola, alinhando-se com projectos em Lubango, Namibe e Cuando Cubango. Se for desenvolvido com sucesso, o nióbio poderá tornar-se uma pedra angular da estratégia de exportação de minerais críticos, posicionando o país como um parceiro estratégico para as cadeias de abastecimento verdes globais, ao mesmo tempo que reforça os esforços regionais de valorização no âmbito da Zona de Comércio Livre Continental Africana (ZCLCA). Um passo em direcção ao futuro O impulso na exploração do nióbio demonstra como as nações dotadas de recursos estão a redefinir as suas trajectórias económicas em resposta às mudanças na procura global. Para os decisores políticos, o desafio reside não só em atrair investimento, mas também em garantir que estes empreendimentos se traduzam num crescimento inclusivo e sustentável que beneficie as comunidades locais e fortaleça a resiliência nacional. A exploração do nióbio na Huíla é, portanto, mais do que um simples projecto mineiro — é um teste para a transição de Angola para uma economia diversificada e impulsionada pela inovação, capaz de competir no novo panorama global dos recursos. Fonte: Further Africa

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