advertisemen tO Governo da Tanzânia anunciou, nesta segunda-feira (26), que espera assinar, antes de Junho, um acordo para o seu projecto paralisado de construção de uma fábrica de gás natural liquefeito (GNL) no valor de 42 mil milhões de dólares, com o início da produção previsto para daqui a oito anos. A norueguesa Equinor e a Shell são operadoras conjuntas do megaprojecto de gás, que iria explorar 47,13 biliões de pés cúbicos de depósitos de gás natural, enquanto a Exxon Mobil, a Pavilion Energy, a Medco Energi e a empresa petrolífera nacional da Tanzânia (TPDC) são parceiras. O desenvolvimento do projecto foi paralisado por alterações propostas pelo Governo a um acordo financeiro alcançado em 2023. Juntamente com os projectos de Moçambique, o da Tanzânia poderia ajudar a estabelecer a região da África Oriental como um centro emergente de exportação de GNL para a Ásia. “Concluímos basicamente as discussões comerciais. Agora estamos apenas a discutir o quadro jurídico deste acordo”, afirmou Kitila Mkumbo, ministro de Estado da Tanzânia no Gabinete do Presidente para o Planeamento e Investimento, durante uma conferência de imprensa em Londres. Era necessário um quadro jurídico específico, segundo Mkumbo, dado que, com 42 mil milhões de dólares, este era o maior projecto de investimento de sempre para o país. “O acordo está fechado e esperamos que seja assinado antes de Junho”, declarou o governante, salientando que o projecto deverá criar mais de 100 mil empregos. Mkumbo disse também que a Presidente Samia Suluhu Hassan instruiu o banco central a vender parte das reservas de ouro. “Precisamos de dinheiro. Temos muitos projectos de infra-estrutura em andamento que precisam de financiamento. Houve, por isso, uma instrução para venda das reservas para que possamos obter (financiamento) dos fundos.” Os preços do ouro atingiram níveis recorde acima de 5100 dólares na segunda-feira, com os investidores a procurarem um porto seguro face à tensão política internacional. Agitação pós-eleitoral na Tanzânia Os comentários de Mkumbo vêm na sequência de uma série de parceiros bilaterais que estão a rever o seu apoio financeiro após a agitação em torno das eleições do ano passado, que mergulharam a Tanzânia na sua maior crise política em décadas. Hassan foi declarada vencedora esmagadora das eleições depois de os seus dois principais adversários terem sido desqualificados da corrida. O principal partido da oposição, o CHADEMA, e alguns activistas de direitos humanos afirmaram que as forças de segurança mataram mais de mil pessoas nos distúrbios. O Governo de Hassan contesta esse número, mas não apresentou os seus próprios dados. Os parceiros internacionais, principalmente nações europeias, retiveram entre 2 e 3 mil milhões de dólares do orçamento de desenvolvimento de 10 mil milhões de dólares do país, incluindo empréstimos concessionais e outros apoios orçamentais, em resposta aos acontecimentos, segundo Kitila Mkumbo.
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