O Governo pretende reduzir a dependência externa de alimentos básicos através do reforço do agro-negócio e do processamento local de produtos agrícolas, mineiros e florestais. A medida visa criar emprego, aumentar a capacidade produtiva nacional e equilibrar a balança comercial, fortemente pressionada pelo crescimento das importações. Segundo o secretário de Estado do Comércio, António Grispos, Moçambique importa anualmente 500 mil toneladas de arroz, 725 mil toneladas de milho e grandes volumes de soja e trigo, o que representa uma factura superior a 37,8 mil milhões de meticais (600 milhões de dólares). “Um país não pode viver de importação. Isto mostra que estamos a produzir muito pouco. Com 15 milhões de hectares aráveis, é inconcebível continuarmos a importar milho e soja para rações”, sublinhou Grispos. O governante destacou que a produção nacional pode substituir grande parte destas importações. “Já se ensaiou trigo em Lichinga e arroz em diversas regiões. Só não houve continuidade. Temos terra suficiente e condições para abastecer o país e reduzir o défice da balança comercial”, afirmou. Grispos defendeu igualmente a necessidade de transformar produtos localmente antes da exportação. “Nos últimos anos, perdemos entre 15 mil e 20 mil trabalhadores do sector da castanha, porque ficou mais barato exportar em bruto do que processar em Moçambique. Nenhum Governo responsável pode ficar indiferente. Vamos propor medidas imediatas, penalizando a exportação em bruto e incentivando o processamento interno”, anunciou. O secretário de Estado apontou também como entraves estruturais o difícil acesso ao crédito agrícola e a precariedade das vias de escoamento. Explicou que o Executivo estuda alternativas, como certificados de depósito e contratos off take, que permitam aos produtores usar os seus produtos como garantia. “Se não aceitarmos os moçambicanos como primeira linha na comercialização, tudo ficará apenas como um chavão político”, frisou. Relativamente às infra-estruturas, Grispos salientou a urgência de reabilitar vias de escoamento consideradas mais estratégicas do que alguns troços da N1, como Angónia-Tsangano-Macanga (Tete), Alto Molócuè-Malema (Zambézia/Nampula) e estradas de Sussundenga (Manica). Defendeu ainda o reforço da rede ferroviária nacional, sublinhando que “não é normal que para trazer mercadorias da Beira para Maputo por comboio seja necessário passar pelo Zimbabué.” Está em curso a elaboração da Política Nacional de Comercialização Integrada, documento que deverá ser aprovado até Dezembro e que resultará de um amplo debate entre Governo, produtores, banca e associações empresariais. Fonte: Agência de Informação de Moçambique (AIM)advertisement
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