O Governo estima em 3,5 mil milhões de dólares o valor necessário para reabilitar a rede nacional de estradas danificadas pelas chuvas intensas que assolam o País desde Outubro. A informação foi avançada esta terça-feira (3), em Maputo, pelo ministro dos Transportes e Comunicações, João Matlombe, durante as cerimónias do Dia dos Heróis Moçambicanos.

Segundo o governante, a extensão dos danos agravou-se consideravelmente nas últimas semanas, elevando para mais de 5200 quilómetros o total de vias afectadas em todo o território nacional. “Estamos à procura desse valor no mercado. Não o temos disponível e precisamos de apoio para repor a Estrada Nacional, incluindo outras vias em diferentes regiões do País”, declarou Matlombe.

A Estrada Nacional Número 1 (N1), principal eixo rodoviário do País, sofreu interrupções significativas em vários troços, com destaque para o distrito de Chibuto, na província de Gaza, onde o galgamento das águas forçou o corte da circulação. O ministro assegurou que estão a decorrer obras de emergência para restaurar a ligação entre províncias por via terrestre, prevendo-se a reposição até quarta-feira.

“Estamos a trabalhar 24 horas por dia na N1. Já conseguimos abrir uma via alternativa em Chibuto, que está operacional. Prosseguimos com intervenções pontuais para reduzir a pressão da água e garantir o restabelecimento da circulação até amanhã”, explicou.

No sector aéreo, as Linhas Aéreas de Moçambique (LAM) vão retomar os voos regulares para Xai-Xai, capital da província de Gaza, e para Vilanculos, em Inhambane, após um reforço temporário das ligações motivado pelas restrições no transporte terrestre.

“Neste momento, já não se justifica manter o número adicional de voos. Vamos regressar à operação normal com um voo regular, mas é essencial continuar a assegurar a ligação”, acrescentou o governante, recordando ainda que o plano de reestruturação da companhia inclui a aquisição de novas aeronaves.

De acordo com dados do Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD), desde o início da época chuvosa, em Outubro, registaram-se 153 mortos, 254 feridos e mais de 844 000 pessoas afectadas.

Face à gravidade da situação, o Governo declarou o alerta vermelho nacional no dia 16 de Janeiro. Actualmente, estão activos 77 centros de acomodação, acolhendo 76 251 pessoas deslocadas. Desde 7 de Janeiro, foram ainda danificadas 229 unidades sanitárias, 316 escolas e cinco pontes. No sector agrícola, as cheias afectaram 440 842 hectares de cultivo, dos quais 275 405 foram dados como perdidos, atingindo 314 780 agricultores. Estima-se também a morte de 408 115 cabeças de gado, entre bovinos, caprinos e aves.

A resposta humanitária internacional já começou a chegar, com contribuições da União Europeia, Estados Unidos da América, Portugal, Angola, Espanha, Timor-Leste, Suíça, Noruega, Japão e diversos países vizinhos.a d v e r t i s e m e n t

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