Dados do Governo indicam que mais de 2,6 milhões de pessoas receberam assistência nos primeiros nove meses deste ano devido aos impactos causados ​​pela seca, ciclones e inundações. Para a materialização das acções, foram mobilizados 16,8 milhões de dólares no quadro da implementação do Programa Regional de Preparação para Emergências e Acesso à Recuperação Inclusiva (REPAIR), financiado pelo Banco Mundial. “Pelo contrato de seguro soberano contra ciclones, foi accionado também o pagamento de compensação pelos danos no valor global de 9,3 milhões de dólares. Para conter os impactos do fenómeno ‘El Niño’, que tiveram maior incidência nas zonas sul e centro do País, accionou-se o seguro soberano, tendo-se beneficiado de um pagamento na ordem de 1,8 milhão de dólares”, descreve o relatório de execução orçamental citado pela Lusa. O documento elaborado pelo Ministério das Finanças recorda que Moçambique foi atingido na passada época chuvosa 2024-25 (Outubro a Abril) por três ciclones – o Chido, em Dezembro de 2024, o Dikeledi, em Janeiro, e o Jude, em Março, que causaram enormes prejuízos nas infra-estruturas económicas e sociais. “Os fenómenos acima descritos provocaram a morte de 174 pessoas, maioritariamente devido a traumas causados ​​por desabamento de paredes, por afogamento, descargas atmosféricas e cólera. Foram registados 248 feridos e mais de um milhão de pessoas afectadas, o correspondente a 311,1 mil famílias”, esclarece. Em Setembro, as autoridades alertaram para cheias de “grande magnitude” no País e inundações em, pelo menos, quatro milhões de hectares agrícolas durante a época chuvosa 2025-26. “Entre Janeiro, Fevereiro e Março, achamos que vamos ter chuvas e cheias de grande magnitude, aquilo que classificamos como um regime alto, sobretudo nas bacias de Incomáti, Maputo e Limpopo”, afirmou Agostinho Vilanculos, director nacional de Gestão de Recursos Hídricos. Segundo o responsável, as barragens de países vizinhos de Moçambique, entre os quais África do Sul e Essuatíni, estão a 99% do nível de armazenamento e, por isso, com pouca capacidade de encaixe, situação que obrigará ao escoamento e consequentes inundações no País. Recentemente, o Executivo aprovou o plano de contingência nacional para a época chuvosa 2025-26 avaliado em 14 mil milhões de meticais (217,1 milhões de dólares). No entanto, admitiu dispor apenas de 6 mil milhões de meticais (93 milhões de dólares) da verba necessária. Moçambique é considerado um dos países mais severamente afectados pelas alterações climáticas, enfrentando ciclicamente cheias e ciclones tropicais durante a época chuvosa, que decorre anualmente entre Outubro e Abril. O número de ciclones que atingem o País “tem vindo a aumentar na última década”, bem como a intensidade dos ventos, alerta-se no relatório do Estado do Clima em Moçambique 2024, do Instituto de Meteorologia de Moçambique, divulgado em Março. Os eventos extremos provocaram pelo menos 1016 mortos em Moçambique entre 2019 e 2023, afectando cerca de 4,9 milhões de pessoas, segundo dados do Instituto Nacional de Estatística.advertisement

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