O Ministério das Comunicações e Transformação Digital (MCTD) deu hoje um passo decisivo rumo à modernização do Estado e à facilitação de serviços públicos, com o lançamento de uma plataforma de vistos electrónicos, durante a primeira Conferência Nacional sobre Transformação Digital.

A nova plataforma, desenvolvida em parceria com a empresa VFS (Serviços de Facilitação de Vistos) e com o Serviço Nacional de Migração (SENAMI), permite que os viajantes internacionais solicitem e obtenham vistos totalmente online, eliminando a necessidade de deslocações presenciais e pagamentos na chegada ao aeroporto. O sistema inclui captura automática de dados de passaporte, editor de fotos integrado para conformidade com normas internacionais e suporte multilíngue, além de garantias de segurança e privacidade de dados conforme os padrões internacionais.

Além disso, através da plataforma, os utlilizadores terão atendimento 24 horas por dia e sete dias por semana, e ferramentas de assistência online, promovendo a transparência e a confiabilidade.

O ministro das Comunicações e Transformação Digital, Américo Muchanga, destacou que a plataforma constitui um primeiro passo para tornar Moçambique um destino turístico atractivo e facilitar o investimento internacional.

“Queremos, através deste meio, dar o primeiro passo para permitir que Moçambique seja, de facto, um destino turístico atractivo, visitado por todos, e simplificar o processo de obtenção de autorização para entrada no País”, declarou o governante.

Sector privado reforça papel estratégico da digitalização

Ainda no mesmo contexto, o presidente da Confederação das Associações Económicas de Moçambique (CTA), Álvaro Massingue, destacou que a digitalização deixou de ser uma opção e tornou-se essencial para a competitividade, produtividade e sustentabilidade das empresas moçambicanas.

“Cada formulário físico substituído por um processo electrónico, cada licença obtida online, cada serviço público digitalizado representa menos tempo perdido, menores custos operacionais, maior previsibilidade e mais confiança”, salientou Massingue, acrescentando que a transformação digital só terá sucesso se estiver orientada para três objectivos principais:

Redução de custos e aumento da eficiência económica, simplificando processos e libertando as empresas para se concentrarem em produzir, criar emprego e gerar valor;

Promoção da inclusão económica real, com pagamentos digitais, carteiras electrónicas e créditos seguros acessíveis a todos, incluindo mulheres, jovens, operadores informais e populações rurais;

Reforço da competitividade e integração regional e continental, com interoperabilidade de sistemas, identidade e assinatura digital, certificação electrónica de origem e fronteiras digitalizadas, fundamentais para a participação de Moçambique nas novas cadeias de valor africanas.

O representante da CTA realçou ainda que o lançamento da Estratégia Nacional de Transformação Digital deve ser um instrumento participativo, pragmático e orientado para resultados, envolvendo o sector privado, a academia, a juventude e os parceiros de desenvolvimento.

“A transformação digital não é apenas tecnologia, é uma reforma estrutural, um catalisador de crescimento e uma ferramenta decisiva para libertar o potencial económico de Moçambique”, concluiu.

A primeira edição da Conferência Nacional sobre Transformação Digital decorre entre os dias 11 e 12 de Fevereiro, em Maputo.

Texto: Ana Mangana

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