A concessionária petrolífera angolana e a Shell – empresa multinacional britânica do sector de petróleo e gás -, assinaram nesta segunda-feira (3), em Luanda, um acordo com os termos do contrato para prospecção e desenvolvimento de 17 blocos em águas ultraprofundas, um investimento inicial de mil milhões de dólares. Em declarações à imprensa, após a assinatura do acordo, o presidente do conselho de administração da Agência Nacional de Petróleo, Gás e Biocombustíveis, Paulino Jerónimo, destacou o “regresso em grande” da Shell, porque vai operar nesta altura um total de 17 blocos das áreas de concessões, nomeadamente os blocos 19, 34 e 35 e mais 14 outros. “Para além disso, como foi comunicado pelo próprio vice-presidente sénior da Shell, a empresa também vai participar como parceiro no Bloco 33”, referiu Jerónimo, frisando que a expectativa é que nos próximos anos seja feita uma avaliação detalhada das 17 concessões.advertisement Segundo o dirigente, é importante o regresso da multinacional, porque a luta de Angola tem sido manter a produção a um nível acima de um milhão de barris por dia, daí o projecto de produção incremental, dos campos marginais, “pura e simplesmente para manter a produção a nível de um milhão.” “São necessárias novas descobertas para manter este nível e, possivelmente, crescer, razão pela qual continuamos a conceder concessões para actividades de exploração, como foi o caso destes 17 blocos concedidos à Shell”, salientou. Paulino Jerónimo salientou que a escolha da multinacional decorre de negociação directa, porque esta petrolífera “manifestou há muitos anos” (pelo menos dois) o seu interesse de reentrada no país. “Como há duas probabilidades – em nenhum momento estamos a violar a lei – vamos pelo que nos parece mais favorável nessa altura que é a negociação directa”, realçou. O presidente da ANGP disse que outras empresas já existentes no mercado angolano têm manifestado interesse em novos investimentos, avançando estarem a decorrer negociações para três novos blocos na bacia do Namibe, com um novo consórcio. Por sua vez, o ministro dos Recursos Minerais, Petróleo e Gás, Diamantino Azevedo, destacou que o trabalho para o retorno da petrolífera está concretizado com o acordo rubricado, esperando que “todos os esforços e investimentos que serão feitos na fase de prospecção tragam resultados, para se passar depois à fase de desenvolvimento e produção.” A empresa será operadora dos blocos 19, 34 e 35, localizados em águas ultraprofundas nas bacias do Kuanza, e mais 14 blocos em águas ultraprofundas das bacias do baixo Congo e do Kuanza, num consórcio que inclui a Equinor e a Sonangol E&P “Desde já será o início de mais actividade de prospecção no país. São vários blocos em águas profundas e ultraprofundas, e esperamos que alguns deles resultem em actividade produtiva. Tal fará com que o país continue a demonstrar que é um pólo interessante para a actividade petrolífera, que temos ainda potencial para a procura de petróleo e para nós um importante combate ao declínio da produção petrolífera”, referiu. Segundo o ministro, o declínio do petróleo é natural e o caminho é procurar crude, destacando que o Governo mantém por mais alguns anos a meta de produção diária acima de um milhão de barris de petróleo. O vice-presidente sénior da Shell, Eugene Okepere, numa breve declaração à imprensa, realçou o retorno da Shell, 20 anos depois, a Angola, um país com um elevado potencial, manifestando perspectivas de grandes investimentos e um agradecimento à colaboração do Governo angolano e da concessionária petrolífera nacional. A empresa será operadora dos blocos 19, 34 e 35, localizados em águas ultraprofundas nas bacias do Kwanza, e mais 14 blocos em águas ultraprofundas das bacias do baixo Congo e do Kwanza, num consórcio que inclui a Equinor e a Sonangol E&P. Fonte: Lusa
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