O presidente francês Emmanuel Macron fez declarações no final do ano passado onde afirmou que a Europa não podia ser um “vassalo” tecnológico dos EUA e da China, apelando aos países que compõem a União Europeia que dêem preferência a plataformas e soluções tecnológicas europeias.

Agora, diz um porta-voz do governo francês ao site Politico que a França se prepara para proibir o uso dos serviços de videochamada Google Meet, Microsoft Teams e Zoom entre funcionários públicos 
Ao invés destas plataformas, o governo francês adotará o Visio, um software de videochamada criado a partir da infraestrutura desenvolvida pela empresa francesa Outscale.

A Apple partilhou um comunicado onde acusa a Comissão Europeia de usar táticas para continuar a investigar e multar a empresa tecnológica. A comunicação surge numa altura em que uma loja alternativa à App Store foi encerrada.
Miguel Patinha Dias | 10:23 – 27/01/2026

A publicação afirma que o anúncio oficial será feito “nos próximos dias” e que esta transição na plataforma usada pelos funcionários públicos para videochamadas será completada até 2027.
Os dados existentes indicam que o Visio já é usado por cerca de 40 mil funcionários públicos e, eventualmente, deverá chegar a ter até 250 mil utilizadores. O governo francês monitorizará esta transição e, nos próximos meses, deverá proceder ao bloqueio de outras ferramentas de videochamada através da rede de Internet do Estado.
Macron apela a “preferência europeia”
O Presidente francês, Emmanuel Macron, afirmou em novembro que a Europa não pode ser “vassalo” tecnológico dos Estados Unidos e da China e apelou a que os 27 aprovem uma “preferência europeia” para reforçar a soberania tecnológica.
“A Europa não quer ser cliente dos grandes empresários ou das grandes soluções oferecidas, seja pelos Estados Unidos, seja pela China. Queremos claramente conceber as nossas próprias soluções”, disse Macron, em Berlim, durante uma cimeira franco-alemã dedicada à soberania digital europeia.
Segundo Macron, trata-se “simplesmente de recusar ser um vassalo”, numa altura em que o continente perdeu terreno no setor tecnológico, sobretudo na corrida à inteligência artificial.
“Há um custo a curto prazo em não sermos vassalos, porque é preciso reinvestir”, afirmou, considerando, porém, que estas despesas são essenciais e exigem que os europeus tomem “decisões muito arrojadas”.

A Google disse hoje que estar preocupada com a introdução de novas regras, temendo que “comprometam” a segurança dos utilizadores, após a Comissão Europeia ter iniciado dois processos regulatórios que visam a ‘gigante’ tecnológica.
Lusa | 20:17 – 27/01/2026

Entre essas decisões, a defesa de uma “preferência europeia”, nomeadamente nas compras públicas, deve ser “a prioridade” para permitir que os “campeões” tecnológicos europeus se desenvolvam, defendeu o chefe de Estado francês.
“Os chineses aplicam uma exclusividade chinesa sempre que possível e os norte-americanos têm uma forte preferência norte-americana”, enquanto “somos os únicos a nunca termos uma preferência europeia, e até demonstramos, por vezes, uma certa fascinação por soluções não europeias”.
Antes de Macron, o chanceler alemão, Friedrich Merz, tinha defendido uma mensagem semelhante, apelando à simplificação da regulamentação europeia e ao investimento das empresas do continente na soberania digital.
“Assistimos à rivalidade sistémica entre os Estados Unidos e a China, duas grandes potências, também digitais, que disputam a supremacia tecnológica. A Europa não lhes pode deixar esse terreno”, afirmou.
Macron instou ainda a União Europeia (UE) a libertar-se das “dependências tecnológicas em todos os níveis da cadeia de valor, das infraestruturas críticas aos dados, ao ‘cloud’ e ao ‘software'”.
“Não podem entregar a força da vossa economia aos Sete Magníficos, nem delegar todo o funcionamento da vossa democracia aos Sete Magníficos. É insuportável”, disse, referindo-se aos gigantes tecnológicos norte-americanos Alphabet, Amazon, Apple, Meta, Microsoft, Nvidia e Tesla.
Segundo Macron, a Europa, que “priorizou, nos últimos anos, a regulação dos seus próprios atores”, deve “mudar” e “inovar antes de regular”.
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