a d v e r t i s e m e n tA África do Sul está a promover a deportação de mais imigrantes indocumentados que competem com os cidadãos por empregos numa economia com uma das mais altas taxas de desemprego do mundo. A informação foi avançada pelo ministro do Interior do país, Leon Schreiber, na qual revelou que em 2024 foram expulsas 51 mil pessoas, por estarem ilegalmente no seu território.
O país “é uma parte negligenciada da história da migração global”, com a disputa entre estrangeiros e locais por postos de trabalho a tornar-se “um verdadeiro rastilho para conflitos”, declarou o ministro. “Deportámos 51 mil pessoas no último ano — mais do que França e Alemanha juntas. Se tivéssemos mais recursos, faríamos ainda mais”, acrescentou.
A África do Sul possui a economia mais industrializada do continente e recebe constantemente um fluxo de candidatos a emprego dos países vizinhos, incluindo Moçambique e Zimbabué. Porém, com a taxa de desemprego a atingir 33,2%, as tensões entre locais e estrangeiros mantêm-se elevadas. Existem aproximadamente 8,4 milhões de pessoas aptas para trabalhar, mas não têm emprego.
Em 2008, cerca de 60 pessoas morreram e 50 mil foram deslocadas numa vaga de violência xenófoba, com os estrangeiros responsabilizados por tudo, desde o desemprego até aos fracos serviços públicos.
Houve tumultos semelhantes em 2015 e novamente em 2019, quando o Presidente Cyril Ramaphosa foi forçado a pedir desculpas a outras nações africanas, indignadas com o tratamento dispensado aos seus cidadãos. Recentemente, a imprensa local noticiou incidentes envolvendo estrangeiros expulsos de centros de saúde por residentes revoltados.
“A África do Sul está a gerir a situação de forma responsável”, disse Schreiber, membro da Aliança Democrática (AD), o segundo maior partido da coligação governamental composta por dez partidos.
“Estamos a ancorar aquilo que fazemos no Estado de Direito, para garantir que também protegemos a coesão social, mesmo enquanto reforçamos as nossas operações de fiscalização”, afirmou.
Um chamado Governo de Unidade Nacional foi formado em Junho do ano passado, quando o Congresso Nacional Africano (ANC) não conseguiu obter maioria parlamentar numa eleição nacional, pela primeira vez desde o fim do apartheid em 1994. O ANC e a AD têm, desde então, entrado repetidamente em conflito sobre políticas e nomeações, levantando dúvidas sobre a continuidade da aliança.
“Estamos hoje num espaço melhor do que estávamos inicialmente”, disse Schreiber, acrescentando que disputas “são bastante normais em qualquer sociedade com um Governo de coligação.”
A coligação conseguiu ultrapassar um impasse orçamental e, com um novo ciclo fiscal prestes a iniciar-se, Schreiber referiu estar esperançado de que quaisquer divergências possam ser resolvidas de forma “menos pública e destrutiva. Se conseguirmos alcançar isso, creio que se constrói mais uma camada de confiança de que, de facto, estamos a trabalhar muito bem em conjunto”, concluiu.
Fonte: Bloomberg
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