a d v e r t i s e m e n tO Governo sul-africano criticou fortemente a decisão da Administração de Donald Trump de priorizar pedidos de refúgio provenientes de afrikaneres brancos, classificando a medida como racialmente selectiva e baseada em desinformação, noticiou o Business Insider Africa.

Segundo informou, a Administração Trump anunciou que os Estados Unidos da América (EUA) irão limitar as admissões de refugiados a 7500 no próximo ano, uma redução drástica em relação ao limite de 125 mil estabelecido pelo ex-Presidente Joe Biden.

De acordo com um comunicado, estas vagas limitadas seriam “principalmente” atribuídas a sul-africanos afrikaners e a “outras vítimas de discriminação ilegal ou injusta nos seus respectivos países de origem.”

Não foi fornecida uma explicação detalhada para a redução acentuada, embora o Governo norte-americano tenha declarado que a decisão estava “justificada por razões humanitárias ou por ser de interesse nacional.”

Alegações de “genocídio branco” rejeitadas como falsas

O Presidente norte-americano tem continuado a argumentar que os sul-africanos brancos enfrentam perseguições e discriminações em resultado das políticas de reforma fundiária e reparação do país.

No entanto, as autoridades sul-africanas rejeitaram tal afirmação, classificando-a como “factualmente incorrecta”.

O porta-voz do Governo, Chrispin Phiri, declarou: “A alegação de um ‘genocídio branco’ na África do Sul é amplamente desacreditada e não é sustentada por provas fiáveis”, apelando a Washington e à comunidade internacional para abordarem os desafios da África do Sul “com nuance e rigor”.

Líderes afrikaners rejeitam “asilo especial”

Há alguns dias, um grupo de afrikaners proeminentes — incluindo políticos, escritores, activistas e empresários — publicou uma carta aberta rejeitando a ideia de que os afrikaners necessitem de emigrar.

“A ideia de que os sul-africanos brancos merecem um estatuto especial de asilo por causa da sua raça mina os próprios princípios do programa de refugiados. A vulnerabilidade, e não a raça, deve orientar a política humanitária”, escreveu o grupo.

Chrispin Phiri acrescentou que qualquer programa destinado a reinstalar afrikaners como refugiados “ignora os processos constitucionais da África do Sul”, salientando que a fraca adesão dos sul-africanos a esta oferta reflecte essa realidade.

AfriForum e o contexto mais amplo de segurança

O grupo de pressão afrikaner AfriForum, que esteve na linha da frente destas alegações no início do ano, esclareceu posteriormente que não descreve os assassinatos em explorações agrícolas como genocídio, embora continue a manifestar preocupações quanto à segurança nas zonas rurais.

O porta-voz da AfriForum, Ernst van Zyl, afirmou: “Isto não significa que a AfriForum rejeite ou ridicularize a oferta de estatuto de refugiado feita pelo senhor Trump. Haverá afrikaners que irão candidatar-se, e devem ter essa opção, especialmente aqueles que foram vítimas de ataques horríveis em quintas ou das muitas políticas governamentais sul-africanas de discriminação racial.”

No entanto, estatísticas da União Agrícola do Transvaal da África do Sul (TAU SA) indicam que os assassinatos em quintas agrícolas rondam uma média de 50 por ano, abrangendo todas as raças, o que sugere que tais ataques fazem parte do problema geral da criminalidade no país, e não de uma campanha dirigida contra um grupo específico.

Ruptura diplomática aprofunda-se entre a África do Sul e os Estados Unidos

As relações entre Pretória e Washington continuam a deteriorar-se sob a Administração Trump, que adoptou uma postura cada vez mais dura em relação à África do Sul. A economia do país mantém-se enfraquecida, e embora as alegações de um “genocídio branco” persistam, analistas alertam que os desafios da África do Sul são muito mais complexos do que a retórica sugere.

Grande parte da tensão deriva do crescente alinhamento da África do Sul com o bloco BRICS, uma coligação que procura reduzir a dependência global do dólar norte-americano.

Nas últimas semanas, Pretória procurou reforçar os laços diplomáticos e económicos com parceiros não ocidentais, como a Turquia — movimento que observadores interpretam como uma tentativa de atenuar o impacto da pressão dos Estados Unidos e das dinâmicas geopolíticas em mudança.

As tensões atingiram o auge em Maio, durante uma reunião na Sala Oval, onde Trump terá confrontado o Presidente Cyril Ramaphosa, alegando que agricultores brancos na África do Sul estavam a ser mortos e “perseguidos”.

Embora permaneça incerto quantos sul-africanos brancos solicitaram estatuto de refugiado nos EUA, a Câmara de Comércio da África do Sul nos Estados Unidos confirmou que 59 afrikaners receberam asilo e foram reinstalados na América em Maio.

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