advertisemen tO Governo cabo-verdiano concedeu um aval no valor de 5,97 milhões de euros à companhia Transportes Aéreos de Cabo Verde (TACV) para consolidar dois créditos contraídos junto de instituições financeiras, no âmbito do processo de estabilização da empresa. Segundo noticiou a Lusa, a medida prevê a emissão de um “empréstimo obrigacionista no montante de 657,9 milhões de escudos (5,97 milhões de euros), junto da Bolsa de Valores de Cabo Verde, tendo sido solicitado o aval do Estado como garantia para a sua concretização”, de acordo com a resolução aprovada em Conselho de Ministros e publicada no Boletim Oficial. “O prazo global desta operação financeira é de dez anos, em conformidade com o plano de reembolso e a data de vencimento, nos termos da respectiva ficha técnica admitida pela Bolsa de Valores de Cabo Verde”, lê-se no documento. Na resolução, o Governo sublinha que os transportes aéreos assumem “particular relevância” num país insular como Cabo Verde, sendo a melhoria da conectividade, mobilidade e transportes uma das prioridades definidas tanto no programa da actual legislatura como no Plano Estratégico de Desenvolvimento Sustentável II (PEDS II). O aval insere-se no âmbito do plano de negócios (Interim Business Plan) 2023-27 da TACV e visa, igualmente, melhorar a gestão e a sustentabilidade da tesouraria da companhia. A TACV realizava apenas voos internacionais até ser chamada a assegurar também as ligações domésticas, na sequência do colapso da concessão atribuída à companhia BestFly, em 2024. Segundo os dados mais recentes, publicados num relatório estatal sobre o sector empresarial, a TACV registou um resultado líquido negativo de 6,1 milhões de euros no terceiro trimestre de 2024 e figura entre as empresas públicas que apresentam maiores riscos. Apesar de evidenciar “um desempenho operacional robusto”, “uma trajectória sustentada de recuperação” e “um significativo potencial de crescimento”, a rentabilidade foi penalizada por “gastos operacionais totais de 1,9 mil milhões de escudos (17,2 milhões de euros)”, com destaque para os custos de arrendamento que atingiram 575 milhões de escudos (5,2 milhões de euros) e continuam a representar um peso relevante, refere-se no documento. Diversas entidades têm defendido que a TACV se concentre na resolução das falhas crónicas nos voos domésticos, segmento no qual detém o monopólio, abandonando as ligações internacionais, em que enfrenta uma concorrência crescente de companhias aéreas low-cost europeias. O Governo tem respondido que é necessário cautela face a uma excessiva dependência de companhias de baixo custo para o transporte aéreo internacional, num arquipélago com uma forte diáspora.

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