a d v e r t i s e m e n tO ministro da Saúde, Ussene Isse, classificou a greve dos profissionais do sector como “uma tristeza”, admitindo haver problemas após o anúncio da prorrogação da paralisação por mais 30 dias, aumentando ainda a emergência em todo o País.

“Neste momento, existem colegas que compreenderam a mensagem e estão no terreno a trabalhar. Estamos agora num momento de emergência em todo o País. É uma tristeza falar-se de greve, pois o foco está em ajudar as populações por se tratar da nossa missão”, afirmou o governante.

Citado pela Lusa, o dirigente pediu diálogo para travar a greve, reconhecendo os problemas existentes na área da saúde. “Vamos continuar a dialogar para ultrapassar o que nos difere, estamos aqui disponíveis, não estamos em guerra nem a queremos”, reiterou.

Nesta segunda-feira, 16 de Fevereiro, a Associação dos Profissionais de Saúde Unidos e Solidários de Moçambique (APSUSM) anunciou a prorrogação da greve e referiu que mais de 725 pessoas morreram por falta de condições de atendimento nas unidades sanitárias, desde Janeiro.

Ministro da Saúde, Ussene Issse

“Apesar das sucessivas manifestações públicas e apelos formais ao diálogo, o Governo continua a adoptar uma postura de confronto e braço-de-ferro, ao invés de assumir uma posição responsável e orientada para a resolução dos problemas estruturais que afectam o sector nacional de saúde”, avançou o presidente da APSUSM, Anselmo Muchave.

Segundo o responsável, a extensão da greve dos profissionais de saúde, iniciada em 16 de Janeiro, em reivindicação ao pagamento completo do 13.º salário de 2025 — contra os 40% aprovados pelo Executivo — e melhores condições de trabalho, resulta da ausência de um diálogo “sério, transparente e produtivo” com o Governo.

Muchave explicou que durante o protesto, denominado “greve de braços cruzados”, os centros de saúde continuam a funcionar em condições muito precárias, com falta recorrente de medicamentos essenciais, materiais médicos cirúrgicos insuficientes e condições inadequadas para a prestação de cuidados dignos à população.

“Nesta luta neste mês, lamentamos nós, profissionais de saúde, a perda de mais de 725 moçambicanos por falta de atendimento nas unidades sanitárias, de alimentação, transferências, medicamentos e material médico cirúrgico. E, por isso, dizemos, a nossa luta não vai parar”, frisou.

Com base num recente anúncio de um concurso fechado de compra de medicamentos avaliado em 465 milhões de dólares, Anselmo Muchave assinalou que “isso demonstra que Moçambique não dispõe, até hoje, de medicamentos, assistindo-se diariamente ao aumento de mortes evitáveis nas unidades sanitárias, consequência de degradação contínua do Sistema Nacional de Saúde (SNS)”.

Presidente da APSUSM, Anselmo Muchave

O presidente daquela associação, que abrange cerca de 65 mil profissionais de saúde de diferentes departamentos, reafirmou a abertura para um diálogo “sério, responsável e orientado para resultados concretos”. Reiterou, contudo, também que, enquanto persistir a ausência de compromissos reais e soluções estruturais com o Governo, “a greve continuará”.

O Sistema Nacional de Saúde enfrentou, nos últimos anos, diversos momentos de pressão provocados por greves de funcionários.

O País tem um total de 1778 unidades de saúde, 107 das quais são postos de saúde, três são hospitais especializados, quatro hospitais centrais, sete são gerais, sete provinciais, 22 rurais e 47 distritais, segundo os dados mais recentes do Ministério da Saúde.a d v e r t i s e m e n t

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